A proposta da Samarco de ressarcir os prejuíozos dos pescadores com um salário mínimo (R$ 788) por profissional com carteira e mais R$ 147 por filho que ele tiver, não será aceita pela Colônia de Pescadores Z-19, com sede em Governador Valadares. Os cartões com o auxílio financeiro comecaram a ser entregues na quinta-feira (3).

“Estão negociando número de filhos como se nós da categoria pesqueira profissional fossemos flagelados”, reclama o presidente Rodolfo Zulske. A Colônia representa cerca de 500 pescadores do Leste de Minas Gerais e não teria sido ouvida. Segundo o presidente, o justo é ressarcir os pescadores com base nos ganhos que cada um tinha por mês antes da tragédia em Mariana.

Em outubro deste ano Zulske e a mulher que também e profissional, teriam pescado o equivalente a R$ 11 mil. "Mas aceito que o mínimo seja de dois salarios (R$ 1.576,00) por profissional com carteira", avisa.

Além disso, segundo o presidente, existe um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre Ministério Público Federal (MPF), Usina Hidrelétrica de Baguari e pescadores que registra a existência de picos de renda bruta, observados em 2013, variando de R$ 2.947,00 a R$6.120,00.

De acordo com o documento, que integra o estudo "Caracterização Socioeconômica dos Pescadores e Desembarque Pesqueiro na Região de Influência da UHE Baguari", relatório bienal de 2014. "`E provável que as diferenças entre os perfis ou grupos de pescadores estejam fortemente relacionadas a priorização da atividade pesqueira em relação a outras fontes de renda".

"Espero que a empresa tenha responsabilidade e o MPF chame os pescadores e quem entende do assunto para conversar”, diz Rodolfo Zulske, contando que a categoria pesqueira está apreensiva e sem esperanças do rio voltar ao que era antes. Para ele, os que quiserem continuar na atividade terão que procurar outros rios. “Eu estou viajando mais de 200 quilômetros em busca de outros rios, porque o nosso rio Doce morreu”.

Samarco

A Samarco informou que o valor da proposta apresentada aos pescadores está em discussão junto ao Ministerio Publico do Trabalho (MPT) do Espírito Santo e de Minas Gerais para possível assinatura de um TAC.

Ainda segundo a mineradora, será realizado o pagamento de subsídio emergencial para fins de subsistência aos pescadores que foram afetados pelo deslocamento da Pluma de Turbidez ao longo da bacia do Doce.