A proprietária do abrigo onde 73 cães morreram em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em março deste ano, foi indiciada nesta terça-feira (14) pela Polícia Civil de Minas (PCMG). Segundo o inquérito, ela é suspeita de ter envenenado os animais.

A perícia indicou que os cachorros ingeriram chumbinho, usado normalmente para matar ratos. “Após terem provocado a morte de alguns cães por realizarem um transporte de forma inadequada, envenenaram o restante dos animais que ainda tinham chances de sobreviver, com o intuito de ocultar a causa da morte dos primeiros cães dentro do caminhão e preservarem sua imagem frente ao trabalho que vinham desenvolvendo no lar temporário”, afirmou o chefe do 2º Departamento de Polícia, delegado-geral Rodrigo Bustamante.

A suspeita e o marido foram indiciados pelos crimes de maus-tratos aos animais e fraude processual, por tentar dissimular a real causa da morte dos cães e por desviar o foco da investigação policial.

O caso

O casal, que cobrava R$ 160 por mês para dar abrigo temporário a cães, planejava uma mudança de endereço, de Ribeirão das Neves para Contagem. Os clientes pagaram R$ 30 por animal para custear a mudança.

Mas a mudança foi feita às 13h, em um dia muito quente, de maneira inadequada – um caminhão baú fechado, sem ventilação ou refrigeração. Os animais ficaram dentro do caminhão por uma hora e meia. Quando o veículo chegou a Contagem e as portas foram abertas, 20 animais já estavam mortos, enquanto os outros estavam bastante debilitados.

Para esconder as mortes provocadas pelo transporte inadequado, a mulher teria inventado que os animais eram vítimas de envenenamento. Ela teria aplicado um pó de coloração escura na boca dos cachorros sobreviventes, para insinuar uma intoxicação por carvão ativado. Porém, os laudos da perícia mostraram que o crime foi realizado com chumbinho.

Leia mais:
Entidades sugerem comércio aberto de terça a sexta-feira em BH