Menos de 12% dos mineiros com idade entre 20 e 49 anos foram aos postos de saúde para se vacinaram contra o sarampo. Baixa cobertura vacinal que se reflete em todo o território brasileiro e que levou o Ministério da Saúde a estender a quarta etapa da campanha até o dia 31 de agosto.

No último dia antes da prorrogação, ocorrido na terça-feira (1º), somente foram aplicadas 11,6% das doses esperadas para a faixa etária, "um público que é muito difícil" de vacinar, na avaliação de Josianne Dias Gusmão, coordenadora estadual do Programa de Imunizações em Minas Gerais.

"(Este grupo) só vai a unidade de saúde quando está com algum agravo. Geralmente não vai lá para deixar o cartão de vacinação em dia. Como não tiveram conhecimento sobre sarampo, não sabem da gravidade da doença. Este é o nosso grande desafio", observa Josianne.

A coordenadora registra que a baixa cobertura vacinal também é justificada pelo fato de a campanha acontecer juntamente com a da influenza. "Isso provocou uma certa confusão até entre os profissionais de saúde, já que a visibilidade maior, especialmente neste momento de pandemia, foi para a influenza".

Em Minas Gerais, houve 12 casos de sarampo no primeiro semestre, além de 77  em investigação. "Três vezes mais do que no ano passado, quando tivemos quatro casos neste período, que classificamos como importados de outros países", assinala Josianne.

Como muitas pessoas não estavam vacinadas, a propagação aconteceu de forma rápida, com 132 casos no segundo semestre de 2019. "Quem não vacinou ainda está correndo o risco de contrair a doença. É preciso entender que a vacina salva vidas", afirma.