O trem de passageiros que faz o trajeto Vitória (ES) a Belo Horizonte (MG) está com a circulação restrita nesta terça-feira (15) devido a protesto realizado por pescadores no trecho de Baixo Guandu, no estado capixaba. Um grupo de manifestantes fechou um trecho da rodovia e, por isso, as composições só irão até a cidade de Governador Valadares, na região do Vale do Rio. "O Trem de Passageiros não circulará no Espírito Santo", informou a Vale.

Na segunda-feira (14), quando o protesto teve início, a mineradora disse que alugou ônibus para garantir a chegada dos passageiros que seguiam para o Espírito Santo. Porém, a chegada foi atrasada. "Passageiros com viagens marcadas para esta terça-feira para locais que não serão atendidos poderão reagendar o bilhete ou pedir o reembolso do valor investido na compra da passagem", declarou a empresa.

Os passageiros têm até 30 dias para procurar uma das estações localizadas ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Mais informações podem ser solicitadas por meio do Alô Ferrovias 0800 285 7000. "A Vale reforça que a paralisação de ferrovia é crime e coloca em risco a segurança de passageiros, empregados e terceiros. 

Além de cerca de 2 mil passageiros diários, a EFVM é responsável pelo transporte de minério de ferro, combustíveis, grãos, aço, entre outros produtos, todos de grande importância para a economia brasileira", reforçou a Vale.

Manifestação

Dezenas de pescadores vítimas da tragédia ocorrida em Mariana, na região Central de Minas, se reuniram para protestar contra a Vale. "O motivo da mobilização é dar uma resposta a recente alteração de cerca de pelo menos 1.500 acordos firmados entre Samarco e pescadores a partir de janeiro de 2018. Uma dessas compensações se referia ao auxílio financeiro – espécie de pagamento mensal a cada família pela perda em suas atividades econômicas – que agora vai ser descontado das indenizações, contrariando o que fora acordado e assinado ao longo de 2018", informou os organizadores da manifestação.

Relembre

Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, de propriedade da Samarco - pertencente à Vale e à BHP Billiton - deixou 19 mortos e o Rio Doce contaminado por rejeitos da mineração ao longo de 826 km e 39 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Esta foi a maior tragédia socioambiental já registrada no Brasil. Mais de um milhão de pessoas foram atingidas de alguma forma nos dois Estados.

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