Nove pessoas da mesma família de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tiveram Covid-19 simultaneamente, em junho deste ano. Entre elas, a psicóloga Elisana Nascimento Santos e seu bebê, Lucas, que estava com apenas 1 ano à época.

“Os dois piores momentos para mim foram quando vi o bebê com sintomas, porque não sabia o que ia acontecer com ele, e quando peguei o resultado do meu teste dando positivo para Covid-19”, lembra Elisana, que atende como psicóloga na cidade, nos sistemas público e particular de saúde.

“Os dois piores momentos para mim foram quando vi o bebê com sintomas, porque não sabia o que ia acontecer com ele, e quando peguei o resultado do meu teste dando positivo para Covid-19”, lembra Elisana

Risco para todos

“Quando a gente vê o resultado positivo, é muito ruim, você fica muito ansioso, porque não sabe se vai complicar. É como se fosse uma sentença que te aproximasse, de alguma forma, da possibilidade de morrer. O grande problema da pandemia é este, a gente sabe muito pouco sobre o vírus. Estamos aprendendo com ele circulando. Por isso, vejo a doença como um risco para todo mundo”, pondera a psicóloga.

Ela conta que a contaminação familiar se deu porque sua cunhada, que morava em BH e ia passar os fins de semana em Jaboticatubas, havia sido diagnosticada erroneamente com sinusite. Na verdade, ela estava infectada pelo novo coronavírus e, sem saber, ao se reunir com a família, o vírus circulou entre todos.

Lucas, o filho mais novo de Elisana, que hoje tem um ano e meio, apresentou sintomas como prostração, coriza, um olhinho lacrimejando e febre alta. “Passei a madrugada dando banho, paracetamol, e a febre dele não baixou”, lembra a mãe.

A sogra, outra das nove pessoas contaminadas ao mesmo tempo, conta a psicóloga, ficou muito mal, teve desidratação forte, e só não foi para o hospital porque médicos da Secretaria Municipal de Saúde de Jaboticatubas monitoraram e orientaram toda a família em casa.

Isolamento protege mãe

“Quando suspeitei que estivesse contaminada e fiz o teste, me isolei antes de sair o resultado, principalmente, para proteger minha mãe, que tem 69 anos e é hipertensa. Foi minha primeira postura de responsabilidade e recomendo-a às pessoas: não duvidem da possibilidade de terem se contaminado”, alerta.

“Quando suspeitei que estivesse contaminada e fiz o teste, me isolei antes de sair o resultado, principalmente, para proteger minha mãe, que tem 69 anos e é hipertensa. Foi minha primeira postura de responsabilidade  e recomendo-a às pessoas: não duvidem da possibilidade de terem se contaminado”, alerta.

Elisana acredita, inclusive, que seu isolamento domiciliar pode ter salvado a vida da mãe, com quem ela mora – junto de seus dois filhos. “Antes mesmo de saber o resultado do exame, me comportei como se estivesse contaminada. O mais seguro até hoje é manter o distanciamento, usar máscara, seguir o protocolo de saúde recomendado”, reforça a psicóloga.

Elisana relata que apresentou sintomas como dor de cabeça e náuseas. Como profissional da área, ela diz acreditar que o sistema de saúde pública vai mudar no pós-Covid-19, por uma série de razões relacionadas até mesmo às sequelas deixadas pela doença em algumas pessoas - inclusive, efeitos sobre a saúde mental.

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