Uma organização criminosa especializada em roubo de cargas nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro foi desmantelada nesta quarta-feira (20) por uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Polícia Militar e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Espírito Santo. Oito pessoas foram presas e três estão foragidas. 

O esquema, que funcionava desde 2006, era focado em uma oficina em Governador Valadares, na região do Rio Doce, mesma cidade em que moravam os dois líderes da quadrilha. No local, placas de caminhões e carretas roubados eram adulteradas. 

Os roubos de carga aconteciam sob demanda, como explica o promotor do MPMG, Evandro Ventura da Silva. "Pessoas que praticavam receptação entravam em contato e diziam do que precisavam, por exemplo, uma carga de material X ou uma carreta Y. A partir disso, a quadrilha se organizava para efetuar o roubo". 

Dividida em vários "departamentos", a quadrilha contava com líderes, pessoas responsáveis por receber as demandas dos "consumidores", interessados em captar a receptação, integrantes responsáveis pela adulteração dos veículos e despachantes, que ficavam com a missão de adulterar os documentos. Além disso, familiares dos líderes da quadrilha encabeçavam a lavagem de dinheiro, na qual eram produzidos nomes e documentos falsos e, com estes dados, eram abertas onde os valores eram movimentados.

Ainda não é possível estimar todo o montante que a organização movimentou ao longo de mais de 10 anos de atividade. Mas, para se ter uma ideia, o valor contabilizado em somente uma das cargas roubadas, de projetores, gira em torno de R$ 24 milhões.

As investigações continuam porque há a possibilidade de outros integrantes do esquema serem identificados, inclusive, servidores públicos. Alguns integrantes da quadrilha rodavam pelas rodovias que ligam os três estados atrás da melhor carga, chegando a passar cerca de uma semana neste trabalho de campo, de acordo com o promotor. Identificado o alvo, eles perseguiam o veículo até que o motorista estacionasse em algum lugar, como um posto de gasolina, para fazer um descanso. A partir dali, os criminosos entravam em ação. 

Doações de chocolates

Em uma das ocorrências levantadas, o alvo demandado à quadrilha não era a carga, mas sim, a carreta. Os criminosos mantiveram o motorista rendido em uma mata própxima a cidade de Linhares, no Espírito Santo, por cerca de sete horas, enquanto realizavam o transbordo da carga. Mas o material transportado, composto por chocolates e doces, não interessava à quadrilha. Para não disperdiçar a carga, os criminosos a doaram a uma igreja de Governador Valadares para a realização de uma rifa beneficiente.

As investigações continuam para identificar outras pessoas que integram o esquema e também averiguar se alguns documentos adulterados eram emitidos em órgãos públicos​. ​

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