Eram 16 horas em ponto deste sábado (25) quando as sirenes ecoaram no bairro Maria Tereza, região Norte de Belo Horizonte. O aviso sonoro anuncia, aos moradores de 123 residências, que deixem suas casas e sigam em direção ao ponto de encontro: uma igreja. Apesar de se tratar de um simulado, sobre um possível rompimento da barragem Forquilha I, em Ouro Preto, na Região Central de Minas, moradores da comunidade relatam apreensão com uma provável mancha de destruição.

"Quando a sirene tocou, meu coração acelerou. Fiquei apreensiva com a possibilidade de isso, um dia, tornar-se real", disse a cuidadora Maria Aparecida de Souza, de 35 anos. Mãe de cinco filhos e moradora do bairro, conta que, apesar das reuniões que ocorrem há pelo menos um mês, o medo tem sido constante. "Só sai de casa com os documentos, como foi pedido pela Defesa Civil", relata a mulher. Em caso de rompimento, os impactos chegariam ao bairro em aproximadamente 13h.

As horas, no entanto, deixam as pessoas aflitas. Marisa Inácio, de 48 anos, mora no bairro há oito. As tragédias da Vale em Mariana e em Brumadinho, que até este sábado contabilizava 242 óbitos e 28 desaparecidos, apavoram sua família. "Essas barragens não têm deixado a gente nem dormir. Ficamos apreensivos, né? Já que o rejeito chegaria aqui no córrego do Onça e inundaria o bairro", afirmou Marisa, que vive com o marido e dois filhos na Zona de Segurança Secundária (ZSS).

Atenção 

Para o líder comunitário do bairro, Edmar Gonçalves, a adesão foi boa. "Percebemos que os moradores se empenharam e compareceram em peso para o simulado e a reunião", disse. "É preciso ter atenção", completou o representante. No entanto, de acordo com o relatório feito pela Defesa Civil e pela Vale, o treinamento, também no bairro Beija-flor, teve adesão de apenas 236 pessoas, totalizando 30% do público esperado. O órgão estimava que 800 moradores, das duas comunidades, comparecessem à simulação. 

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