A pandemia de Covid-19 voltou a avançar em Minas Gerais, obrigando quatro regiões a permitirem novamente só o funcionamento de serviços essenciais. A medida foi tomada pelo Comitê Extraordinário do Estado, após alta de 27% nos casos de contaminação e da demanda por internações de pacientes na última semana. 

A partir de hoje, as ma-crorregiões Nordeste, Jequitinhonha e Leste do Sul se juntam à Leste, que restringiu atividades comerciais em 21 de novembro, na fase mais restritiva do Minas Consciente, elaborado pelo governo mineiro para orientar a retomada da economia após quarentena imposta em março.

Sete regiões estão na onda amarela, sendo que quatro delas também dão um passo atrás hoje. Até agora, desde o último mês, metade do território teve que voltar a proibir determinados serviços por conta do crescimento de doentes.

O cenário atual é a soma do aumento da flexibilização e do relaxamento da população, alerta o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estevão Urbano. O médico diz que medidas mais drásticas são necessárias para evitar a piora da situação.

“O que está acontecendo é reflexo do comportamento das pessoas, que deixaram de se cuidar e cuidar dos outros. Então, é necessário que o poder público tome algumas decisões no sentido de evitar aglomerações e a proximidade entre as pessoas. Vale lembrar que o vírus depende dessa proximidade para que ocorra a infecção”, frisa o infectologista do Hospital Madre Teresa.

Secretário de Estado de Saúde (SES), Carlos Eduardo Amaral, o aumento da incidência do vírus foi constatada em todas as regiões mineiras. “Não tivemos ainda aumento de óbito proporcional, mas estamos vendo já aumento da demanda por internações tanto em leitos clínicos quanto em terapia intensiva. É o que chama mais atenção”.

Amaral frisou que ainda há vagas nas UTIs do Estado. “Mas já temos regiões com número menor de leitos disponíveis. Isso reforça a necessidade de cuidado, de distanciamento e atenção da população neste momento”, alertou.

As medidas de recuo na flexibilização preocupam Associação Mineira dos Municípios (AMM). Presidente da entidade, Julvan Lacerda diz que nova quarentena pode prejudicar a retomada da economia local, bastante afetada pelas restrições determinadas em março.

 

ALÉM DISSO:

Dois indicadores de monitoramento da epidemia de Covid-19 em Belo Horizonte, usados pela prefeitura para tomar decisões sobre a retomada da economia na cidade, voltaram a subiram. Houve uma elevação das taxas de transmissão do novo coronavírus e de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem pela administração municipal, o número médio de transmissão por infectado (Rt) passou de 1,03 para 1,04 – isso significa que cem pacientes transmitem o vírus, em média, para 104 pessoas.

Além disso, a ocupação de leitos na terapia intensiva reservados para pacientes com Covid-19 subiu de 39,1% para 43,6%. Já na enfermaria caiu discretamente, de 41,9% para 41,7%.

O boletim mostra ainda que a cidade registrou 285 casos novos da doença em 24 horas, chegando a 55.039 confirmações desde março. Também contabilizou mais seis mortes e agora são 1.668 vidas perdidas por causa da doença. Outros 95 óbitos ainda são investigados.