Uma reunião na tarde desta terça-feira (21) entre o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), e o presidente do Sindicato de Hotéis, Motéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindhorb-BH), Paulo Cesar Pedrosa, terminou com avançoss para o setor. Mesmo sem uma definição da data oficial para reabertura do comércio não essencial, a flexibilização pode acontecer nos próximos dez dias, segundo o sindicalista, mediante uma série de protocolos e medidas, como fechamento de ruas e quarteirões para uso de mesas e cadeiras. 

De acordo com Pedrosa, a reunião foi um avanço no diálogo e nas perspectivas de reabertura do segmento, que está parado há quase 130 dias. "A melhor audiência até agora e a flexibilização está a caminho, vem até o final deste mês", revelou. A prefeitura, porém, não se pronunciou após a reunião para confirmar esta informação.

O sindicato entregou ao prefeito uma proposta complementar ao protocolo com regras sanitárias para a reabertura do comércio onde alguns estabelecimentos funcionem de segunda a quinta-feira, enquanto outros abram as portas de quinta-feira a domingo. "Para diminuir o número de pessoas dentro de bares e restaurantes, o prefeito vai autorizar o fechamento de alguns quarteirões e algumas ruas com maior concentração, para que mesas sejam espalhadas e as regras de distanciamento sejam cumpridas e se evite ao máximo a aglomeração".

O encontro durou cerca de duas horas e contou com a participação também do presidente do Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, e o líder do governo na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), vereador Léo Burguês (PSL).

Demissões e decisão judicial

Os bares estão fechados na capital há mais de quatro meses com o atendimento se limitando à retirada de produtos no local e serviços de entrega. Segundo o presidente do Sindhorb-BH, as demissões no setor já chegam a 14 mil empregados. Nos hotéis e motéis, cerca de 5 mil pessoas foram dispensadas nesse período. "E a nossa estimativa é que mais de mil empresas não consigam mais abrir as portas quando tudo isso passar".

Sobre a liminar dessa segunda-feira (20), que suspendeu o decreto municipal do dia 8 de abril e determinou a reabertura de bares, restaurantes e lanchonetes de Belo Horizonte, Pedrosa acredita que a decisão muda pouco a realidade dos estabelecimentos, já que as regras impostas pela Justiça são mais rígidas do que as que vêm sendo discutidas com a administração municipal. "Nós ficamos limitados e não contemplou a categoria. Ninguém quer abrir com liminar, cheia de pegadinha. O enfrentamento não é o melhor caminho e sim o diálogo e o equilíbrio".  

Uma nova reunião entre o prefeito Kalil e o sindicato ficou marcada para a próxima terça-feira (28).