Responsável por 30% das mortes em todo o mundo, a doença cardiovascular – o Infarto Agudo do Miocárdio e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) – tem atingido quase que de forma igualitária homens e mulheres.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, há 60 anos, de cada 10 mortes, apenas uma era mulher. Atualmente, a proporção está em 5,3 homens para cada 4,7 mulheres.

A estatística revela um cenário preocupante, na opinião de especialistas. Sedentarismo, estresse, obesidade e até os tratamentos anticoncepcionais são fatores que colaboram para o desenvolvimento da enfermidade nelas.

A melhor maneira de prevenir as doenças do coração, de acordo com a médica Marildes Luiza de Castro, coordenadora do curso de pós-graduação em Cardiologia da Faculdade Ipemed de Ciências Médicas, é ter um estilo de vida saudável, dormir bem e evitar o estresse. 

“Hábitos como sentar-se à mesa com família para se alimentar, ingerir legumes e verduras, não se descuidar das fibras e frutas e evitar gordura e comer rápido são importantes. Manter a atividade física regular, pelo menos 150 minutos por semana, distribuídos em 5 ou 4 dias, dependendo da disponibilidade, sempre considerando atividades que lhe deem prazer”, explica a especialista. 

Não descuidar do lazer, do descanso, cuidar do corpo e da mente, pois o estresse faz muito mal para o coração e para a pressão. Nunca descuidar dos seus números:  colesterol, glicose, pressão arterial e cintura abdominal. A gordura abdominal é maligna e aumenta as doenças cardiovasculares no futuro
Marildes Luiza de Castro
Cardiologista

Confira mais sobre as doenças cardiovasculares, em minientrevista com a cardiologista Marildes de Castro: 

Porque as mulheres estão adoecendo mais do coração?
As mulheres estão adoecendo mais do coração, pois estão se expondo mais aos fatores de risco. Ou seja, estão mais estressadas, com dupla jornada, não têm tempo de se alimentar adequadamente, fumam mais, praticam menos exercício físico, dormem pouco, etc. Com isso, estão ficando mais hipertensas, com mais gordura abdominal, obesas e com maior predisposição ao diabetes. 

Está relacionado à vida moderna?
Sim, a causa está associada à vida moderna, sem sombra de dúvida. O mundo inteiro está passando por esse tipo de comportamento. 

Isso ainda pode ser revertido? 
Podemos impedir essa alta incidência das doenças cardiovasculares, que podem ser prevenidas em até 80% dos casos, combatendo os maus hábitos de vida, que levam para a presença de fatores de risco. Existem fatores modificáveis e os não modificáveis. Os não modificáveis são a herança, principalmente a idade. Quanto mais velho, maior o risco de ter doenças cardiovasculares. Os modificáveis são o sedentarismo, obesidade, diabetes, hipertensão, alcoolismo, tabagismo, colesterol alto, tudo isso pode ser bem controlado com um estilo de vida saudável. Sem esquecer do estresse. É preciso ter lazer, descanso adequado e boas noites de sono. Cuidando da vida de uma forma mais saudável, essa incidência da doença cardiovascular diminui.

Porque os homens lideravam esse ranking antes?  O que as mulheres têm feito igual aos homens?
Há 60 anos, o homem provia a casa enquanto a mulher cuidava da casa e da educação dos filhos. Há uns 30 anos, a mulher começou a trabalhar fora e adotou a jornada dupla. Então, a mulher passou a adquirir maus hábitos de vida. O homem já tinha essa predisposição antes, por causa do seu estilo de vida, como o estresse do trabalho, noites mal dormidas e falta de atividade física. A mulher buscou se igualar profissionalmente, mas passou a fazer mais, a assumir mais tarefas e responsabilidades. 

É uma tendência que as mulheres enfartem cada vez mais cedo?
Acreditava-se que infarto era doença masculina, pois a mulher quando enfartava, ocorria, aproximadamente, 10 anos mais tardiamente que o homem. Geralmente após a menopausa. Isso é atribuído a uma proteção natural hormonal, que são os estrógenos. Mas o mal hábito de vida feminina tem diminuído essa proteção natural que a mulher tem. A associação da pílula anticoncepcional com o cigarro também contribui, pois acaba tirando a proteção hormonal natural e expõe a mulher jovem ao maior risco de doenças cardiovasculares.

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