Quatro anos após homologar a licitação da nova rodoviária de Belo Horizonte, no bairro São Gabriel (região Nordeste), a prefeitura e o consórcio vencedor da concorrência pública desconversam sobre a nova data para começar a obra. A última previsão era agosto de 2015. Muito antes, porém, o prefeito Marcio Lacerda havia anunciado que o terminal estaria pronto no final de 2012.

Agora, segundo a BHTrans, a chuva impede o pontapé inicial nas obras pelo consórcio SPE Terminal BH, formado pelas empreiteiras paulistas Socicam, Planova, Villanova, Telar e Amafi. “Movimentação de terra em período de chuva é problemática. Assim, como ainda estamos no verão, com chuvas mais constantes, as obras devem ser iniciadas na estação seca”, informou, em nota.

Como a obra não tem data para começar e, portanto, também não há prazo para ser concluída, a rodoviária do Centro não pode ser transformada em estação metropolitana, como anunciou o governo estadual, em 2015. A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), responsável pela administração do terminal, não tem como fazer investimento ou melhoria no prédio da praça Rio Branco, área com saturação da capacidade viária.

O prazo dado à prefeitura para transferir as operações para o São Gabriel terminou em janeiro, depois de prorrogado por 30 meses. O convênio foi assinado em julho de 2008. Só após reassumir a gestão do terminal, o governo iniciará estudos para que ele incorpore veículos do sistema metropolitano.

Segundo a BHTrans, os sucessivos adiamentos não têm a ver com a falta de recursos em caixa. A justificativa é que “parte dos projetos executivos teve de ser refeita”. Porém, a empresa não detalhou o que foi modificado em relação ao projeto original. “A prefeitura ficou responsável pela desapropriação e reassentamento, que já estão praticamente resolvidos em sua totalidade”, informa.

Providências

A área de 50 mil metros quadrados no São Gabriel “foi entregue à empresa vencedora do consórcio, que já providenciou o cercamento e a segurança do terreno”, afirma a BHTrans.

Pelo contrato, após a liberação do terreno, o consórcio teria seis meses para iniciar a construção. A obra precisa ser concluída em um ano e meio, prazo que já venceu. De acordo com o cronograma da prefeitura, a limpeza foi feita em julho de 2015.

Aluno do primeiro ano do ensino médio da Escola Estadual Mendes Pimentel, no bairro Fernão Dias, Luiz Ricardo Gonçalves Dutra, de 18 anos, reclama da demora na construção da rodoviária. “À noite, ninguém pega ônibus nesse local, onde fui assaltado duas vezes. De dia, a espera no ponto é debaixo de sol”, reclama, se referindo ao ponto da rua Jacuí, atrás da estação do metrô, que será incorporado ao novo terminal.