O aumento do valor das multas de trânsito não foi suficiente para intimidar motoristas infratores em Minas. Desde o reajuste, há pouco mais de uma semana, pelo menos um condutor foi flagrado por dia dirigindo embriagado nas blitze da Lei Seca. Cada um pagará R$ 2.934,70 e ainda terá a habilitação suspensa por 12 meses.

Multas aplicadas já estão com os valores atualizados: infrações gravíssimas passaram de R$ 191,54 para R$ 293,47; graves de R$ 127,69 para R$ 195,23; médias de R$ 85,13 para R$ 130,16; e leves de R$ 53,20 para R$ 88,38

O levantamento, da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), mostra que, entre 1° e 7 de novembro, 12 pessoas foram pegas alcoolizadas ao volante. Dez delas cometeram infrações de trânsito – teor etílico fica entre 0,05 e 0,33 miligramas de álcool por litro de ar expelido. As outras duas, crime de trânsito, quando o nível está acima de 0,34 mg. Além disso, a polícia flagrou 46 motoristas dirigindo sem habilitação.

Incivilidade

Os exemplos de desrespeito e imprudência não estão restritos aos casos de embriaguez. Alheios ao reajuste das multas, condutores de BH seguem ignorando a lei. Em um intervalo de 30 minutos, a reportagem do Hoje em Dia observou condutores sem o cinto de segurança, dirigindo e falando ao celular e até mesmo fazendo conversões proibidas em pontos movimentados da cidade, como no cruzamento das avenidas Afonso Pena com Amazonas, na Praça 7.

Só a Guarda Municipal anotou 1.757 multas em toda a cidade nos dez primeiros dias de novembro. O ranking das infrações nesse período ainda não está fechado, mas a corporação informou que a maioria foi feita na região Centro-Sul.

De janeiro a outubro, os agentes de trânsito da corporação também multaram 26,2 mil motoristas que desrespeitaram o estacionamento rotativo, 12,1 mil que praticaram conversão à direita em local proibido e 11,9 mil utilizando o celular ao dirigir.

Rigor

Para o engenheiro e consultor em transporte e trânsito Osias Baptista Neto, a falta de rigor na fiscalização contribui para que as infrações continuem a acontecer. “Belo Horizonte não possui um plano para unir fiscalização e engenharia de trânsito. A legislação até permite que os flagrantes sejam feitos pelas câmeras, mas isso não acontece. Foi uma perda muito grande para a cidade que a BHTrans deixasse de aplicar multas”, avalia. 

Por meio de nota, a Guarda Municipal garante que as fiscalizações são rotineiras tanto a pé quanto motorizada e que há “presença fixa nos principais cruzamentos do Centro”. Ainda segundo a assessoria do órgão, sempre que o agente presenciar a infração, o condutor será autuado “conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro”.