Os relatos de pessoas que têm recebido e-mails com boletos falsos em nome de empresas de telefonia e TV a cabo se multiplicam em Belo Horizonte. No trabalho, na sala de aula ou na roda de amigos, tem se tornado comum ouvir alguém que recebeu ou conhece uma pessoa que foi vítima da fraude. No fim de agosto, foi a vez da Secretaria de Estado da Fazenda alertar os contribuintes sobre e-mails com falsas cobranças de tributos, como IPVA, por exemplo. 

O esquema tem como alvo os bons pagadores desavisados. O estelionatário falsifica o boleto da operadora contratada pelo consumidor, com a logomarca da empresa e código de barras falso. Esse documento é enviado para vítima no e-mail credenciado para receber as contas.

A vítima abre o boleto e, sem perceber a fraude, usa o código de barras para quitar o suposto débito. O problema é que muita gente só percebe a fraude depois que recebe a conta verdadeira e resolve acionar a empresa contratada para saber o motivo do envio de outra fatura.

Alvos do golpe

A vendedora Luciana Souza, de 37 anos, por pouco não realizou o pagamento do boleto falso da TV a cabo. O documento que tinha a marca da empresa que ela contratou chegou com um dia de atraso. Como ela já estava monitorando a caixa de mensagem por causa da demora, assim que a conta chegou, ela rapidamente acessou o banco pela internet para realizar o pagamento. 

"Desde que recebo a fatura por e-mail, eles sempre mandam com antecedência. Dessa vez, passou um dia e então recebi a conta. Quando fui fazer o pagamento, vi que o nome era diferente e estava com desconto, informando que a fatura estava em atraso. Não sei como eles sabiam isso. No lugar de R$ 119, veio a cobrança de R$ 80".

Desconfiada, Luciana ligou para a empresa prestadora do serviço, que negou o envio do boleto. Depois ela teve acesso à conta verdadeira por meio do site. "Sempre abro pelo e-mail e nunca deu errado, sempre confiro as informações do boleto. Dessa vez quase passou despercebido", contou. 

Outro caso é de uma administradora de empresas, moradora da capital, que pediu para não ter o nome publicado. Ela contou que, desde que fez a opção por receber a conta via e-mail, fica atenta às mensagens que chegam, principalmente perto da data de vencimento da fatura.

Em agosto, após ter realizado o pagamento, recebeu outro e-mail com a marca da empresa de telefonia que presta o serviço e um boleto com um valor bem acima do que costuma pagar. A administradora ligou para a operadora e foi informada de que a cobrança não era da empresa e devia ser desconsiderarada.

"Para minha surpresa, quando abri, vi um e-mail da Vivo. Logo pensei, outra conta? Quando cliquei no anexo, tinha um boleto de quase R$ 400, o que me deixou ainda mais surpresa, já que a minha conta não passa de R$ 100. Na hora imprimi para levar na loja da Vivo, mas pensei em ligar primeiro e fui informada que não se tratava de cobrança deles", relata.

Outro detalhe que ela observou é que a conta não  trazia seus dados pessoais. "Por isso fiz a checagem. Temos que estar atentos sempre!", alertou.

O que dizem as operadoras

A operadora Vivo foi procurada, assim como a Tim, Claro/Net e Oi para saber sobre a segurança de dados dos clientes e possível envolvimento de funcionários nas fraudes.

A resposta veio por meio do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), que informou que "as operadoras possuem políticas e diretrizes internas voltadas à área de segurança da informação e antifraude, visando sempre a proteção dos dados de seus clientes. Em caso de dúvidas sobre as faturas, os clientes devem ligar para os canais de atendimento das operadoras", esclareceu em nota.

Orientações de segurança

A Policia Civil de Minas Gerais atribui o aumento de casos ao crescente números de usuários nas redes digitais. O crime é tipificado como estelionato, mas não há um levantamento específico de ocorrências em que o e-mail de uma fatura falsa é utilizado como isca para a fraude.

 Por isso é fundamental redobrar a atenção na hora de realizar qualquer operação pela internet. Confira outras orientações:

  • Checar o e-mail do remetente da mensagem.
  • Bancos e órgãos governamentais não costumam mandar mensagens eletrônicas para os seus clientes com alertas de cobrança, pedidos de recadastramento ou alerta para troca de senha. Se este for o caso, entre em contato primeiro com o seu gerente, agência ou banco por meios oficiais.
  • Empresas privadas de grande porte, como por exemplo operadoras de telefonia e TV a cabo, também utilizam e-mails apenas com o seu domínio de site oficial. Caso queira certificar, cheque o endereço do remetente da mensagem e veja se ele confere com a URL original do site em questão. 
  • Quando as informações do código de barras são inseridas no sistema do banco (caixa eletrônico, mobile bank, internet bank, etc), os dados do beneficiário (a empresa que receberá o dinheiro) são mostrados. Se a conta em questão não pertencer ao beneficiário correto, o cliente não deve concluir a operação.    
  • Se houver qualquer inconsistência, a orientação é não pagar o boleto e entrar em contato com a empresa que emitiu o título. A conferência também deve ser feita no momento do pagamento. 
  • Caso algum cidadão seja vítima de alguma ação criminosa nas redes digitais, ele deverá registrar, imediatamente, a ocorrência. Esse registro poderá ser feito em qualquer delegacia de Polícia Civil ou em alguma unidade mais próxima da Polícia Militar.
  • É importante reunir o maior número de provas e prejuízos que a vítima sofrer no meio virtual. Entre eles, prints de conversas e contatos de suspeitos, URL e o cabeçalho completo do e-mail;

Leia mais:
Secretaria de Fazenda alerta para o envio de boletos falsos de IPVA em Minas
Estelionatários emitem falso boleto de multa com direito à foto do 'flagrante'
Polícia investiga fraude em boletos bancários