O Brasil poderia reciclar até 80% do lixo gerado no país, se fossem adotadas medidas de priorização de coleta seletiva com tecnologias que já existem e houvesse maior organização dos catadores. A opinião é da consultora e pesquisadora em sustentabilidade e resíduos sólidos Jaqueline Rutkowski.
 
Segundo ela, cerca de metade do lixo produzido é orgânico, que poderia virar compostagem, e 30% é de materiais recicláveis, como vidro, metal, papel e plástico. Os 20% restantes seriam de rejeitos.
 
Entretanto, segundo a consultora, atualmente apenas 3% do lixo produzido no país é reciclado. O percentual está muito concentrado nas cidades do Sul e Sudeste, onde entre 14% e 17% têm programas de coleta seletiva. Além disso, há um montante significativo de produtos reciclados que provém de catadores autônomos ou de cooperativas.
 
Para que os 80% sejam alcançados, Jaqueline diz ser preciso um pacto nacional. “Não vale apenas a lei e o governo. Nossa sociedade precisa entender que tem que mudar esse modelo. Tem que cobrar dos governos que implantem programas de coleta seletiva, por exemplo”.
 
Debate
 
A consultora participa nesta quarta-feira (21) do workshop internacional “Lixo Zero: construindo soluções sustentáveis para a gestão dos resíduos sólidos nos municípios”, que será realizado na Faculdade de Direito da UFMG, no Centro de Belo Horizonte, das 8 às 18h.
 
Um dos palestrantes no evento é o espanhol Joan Marc Simon, economista e diretor executivo da Rede Lixo Zero da Europa. De acordo com ele, no Velho Continente há locais em que até 90% dos resíduos sólidos são reciclados, mas nem tudo o que serve para lá deve ser adotado integralmente aqui.
 
Para Simon, um dos principais trunfos do Brasil para ampliar a coleta seletiva são os catadores. 
 
Entretanto, segundo Alex Cardoso, membro do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, um dos impedimentos de uma maior participação dos catadores na reciclagem em nível nacional é a dificuldades para formar parcerias entre o poder público e as cooperativas.
 
Minas Gerais recupera apenas 1% dos resíduos
 
Em Minas, de acordo com o Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (Seis), 36% dos municípios têm programas de coleta seletiva. Já na Região Metropolitana de Belo Horizonte, conforme o Plano Metropolitano de Resíduos Sólidos, há coleta seletiva 24 dos 40 municípios da RMBH e Colar Metropolitano. No entanto, o percentual de recuperação de materiais recicláveis na região é de cerca de 1%.
 
Mas a tendência é a de que esse percentual aumente. No próximo dia 2, a Agência Metropolitana assina contrato de concessão administrativa dos serviços de transbordo, tratamento e disposição final de resíduos sólidos em municípios da região.
 
O Consórcio Metropolitano de Tratamento de Resíduos, vencedor da licitação, terá até um ano para concluir os trabalhos. 
 
Mas não haverá metas de reciclagem nos primeiros 24 meses, pois esse é o tempo necessário para a estruturação das Organizações de Catadores de Materiais Recicláveis. Depois disso, os percentuais de resíduos reciclados deverão crescer anualmente.