MARIANA - A Ordem dos Advogados do Brasil, em Minas, (OAB-MG), vai firmar uma parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para o processo de reconstrução de Bento Rodrigues, distrito devastado pelo rompimento de uma barragem em Mariana, em 5 de novembro do ano passado. O acordo, que também conta com a participação do prefeito da cidade da região Central, Duarte Júnior, foi informado durante seminário promovido pela OAB, nesta semana.

Detalhes do acordo ainda precisam ser definidos. Até o momento sabe-se que a intenção é utilizar o conhecimento da Unesco para proteger tradições e até recriar peculiaridades da comunidade atingida. Técnicos da organização mundial vão ouvir moradores e fazer um levantamento de como era o local. Informações coletadas, como cores e detalhes da igreja ou até mesmo os traços de um galinheiro, serão utilizadas no processo de reconstrução do novo povoado.

Segundo o presidente da Comissão Especial do Conselho Seccional de Direito Ambiental da OAB-MG, Márcio Werneck, é uma espécie de acordo de intenções nas áreas sociais e humanas.

“O que a Unesco quer é a participação em projetos para ajudar na recuperação daquele patrimônio imaterial perdido. Quem é que perdeu a varanda da casa, as festas religiosas? São essas pessoas de Bento e outras localidades. A Unesco quer resgatar isso”, detalhou o advogado.

Memória preservada

As palavras dele são amparadas pelo presidente da OAB-MG, Antônio Fabrício Gonçalves. “Em uma tragédia como dessa não existem só as questões físicas. A memória dos moradores precisa ser preservada’’, afirmou. Ele também destacou a importância do evento que, neste sábado (20), chega ao terceiro dia do ciclo de palestras e debates.

“A OAB vem cumprindo o papel de representar e dialogar com a sociedade civil. E mais uma vez não se furtou de enfrentar os grandes problemas. Esse seminário traz uma discussão de alto nível com palestras, algumas internacionais, sobre o novo marco regulatório. A mineração de hoje é considerada muita arcaica e a OAB traz uma discussão técnica sobre a possibilidade de convivência do poder econômico, respeitando-se o cidadão”.