Uma das ferramentas que a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) usará para trabalhar o ensino à distância para alunos da rede estadual é a teleaula, que deve ocupar cinco horas da programação da Rede Minas. A informação foi divulgada e detalhada em primeira mão nesta terça-feira (14) pelo jornal Hoje em Dia e confirmada pela secretária Julia Sant’Anna durante sabatina on-line realizada na tarde desta quarta (15) por deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Diariamente, serão quatro horas de programas gravados e uma hora de conteúdo transmitido ao vivo. 

As teleaulas fazem parte do projeto “Se liga na Educação”, Programa de Estudo Tutorado da Secretaria de Estado de Educação. A previsão é que o ensino à distância para a rede estadual seja feito a partir do dia 4 de maio. Nesta semana, profissionais administrativos das escolas já retomaram os trabalhos, a maioria de forma remota. No dia 22 de abril, os professores também retornarão por meio de home office.

“É um modelo de contingência. A gente não tá falando aqui de algo que tem certeza de que vai funcionar perfeitamente. Estamos aprendendo neste momento. A gente sabe das dificuldades que este modelo apresenta, mas a gente entende que tem que fazer alguma coisa”, afirmou a secretária. Segundo ela, a transmissão via Rede Minas garante o acesso de 1 milhão de alunos a um conteúdo audiovisual exibido pela emissora pública.

O material será exibido a partir das 7h e será separado por blocos, de acordo com a secretária. O primeiro bloco, de uma hora e meia, irá contemplar o Ensino Médio. Em seguida, haverá material para os alunos do segundo ciclo do Ensino Fundamental. O último bloco será dedicado aos alunos mais novos, do 1º ao 5º ano. 

Para a realização do projeto, a Rede Minas lançou edital para a contratação de 26 profissionais do setor audiovisual, que vão dar suporte à produção das teleaulas. A previsão é de contratação imediata desses profissionais, que deverão atuar na emissora por um período de 120 dias.

Escala mínima

A secretária informou ainda que haverá uma escala mínima de trabalho dentro das escolas durante a quarentena para garantir a manutenção dos mais de 4 mil prédios que abrigam as instituições de ensino. Segundo ela, isso é fundamental, entre outros motivos, para que se evite focos de dengue. “Mandamos orientação aos diretores, dizendo que o escalonamento é muito importante”, explicou Júlia, acrescentando que a recomendação é que não haja mais de três trabalhadores ao mesmo tempo na escola.

O Sindicato Único dos Trabalhadores de Educação em Minas Gerais (SindUTE/MG) informou que é contrário ao retorno ao trabalho de servidores das escolas, mesmo que de forma escalonada, pois a orientação das autoridades de saúde, para conter a pandemia, é o isolamento social. Também é contrário à teleaula, pois boa parte dos alunos não tem estrutura para isso em casa. 

De acordo com a coordenadora-geral do SindUTE/MG, Denise de Paula Romano, "o governo não conhece o tamanho do Estado nem as peculiaridades regionais". Segundo ela, 30% dos moradores do Estado não têm acesso à internet e a Rede Minas não é transmitida em vários municípios de Minas. "Podemos repactuar calendário escolar e dias letivos, mas não podemos repactuar vidas perdidas", afirmou a coordenadora, acrescentando que a categoria está em greve. 

Os pais aguardam para verificar se a iniciativa trará bons resultados. Graciele Oliveira Pessoa tem dois filhos matriculados em escolas estaduais da região Leste de Belo Horizonte. Para ela, a iniciativa das teleaulas e ensino à distância parece interessante, mas é preciso avaliar depois que a alternativa for colocada em prática. "Eu achei uma proposta interessante. A minha curiosidade é se vai funcionar direitinho. E penso também nas crianças que não têm acesso à internet em casa. Não é o meu caso, mas penso nestas crianças. Como ficaria a situação delas?", questiona.

 A reportagem tentou contato com a Federação das Associações de Pais e Alunos das Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg), mas ninguém foi encontrado para falar sobre a medida. Também contatou a Rede Minas para saber quantos municípios recebem sinal da emissora e aguarda retorno. 

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