Reduzir o consumo de 144 mil toneladas de açúcar até 2022. A meta foi estabelecida entre o Ministério da Saúde e representantes das indústrias alimentícias, ontem. As discussões, que duraram um ano, foram feitas em torno da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece a mudança de consumo do brasileiro de 80 para 50 gramas por dia da substância.

Atualmente, o nível de ingestão no país equivale a 18 colheres de chá do produto. O objetivo é chegar a cerca de 12 colheres para que o total represente, no máximo, 10% do total das calorias diárias. A alteração atinge os grupos de bolos e misturas prontas, produtos lácteos, achocolatados, biscoitos recheados e bebidas açucaradas. 

Para especialistas, a decisão, além de seguir recomendações médicas, atende também à uma necessidade dos consumidores, que têm procurado opções mais saudáveis, devido ao crescimento de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade. A mudança, porém, deve ser gradual e o ideal é que não seja simplesmente trocado o elemento adoçante, mas sim cortado.

“É um avanço importante, que acompanha a redução de sódio. Devemos lembrar que, mesmo assim, esses alimentos continuam tendo grande quantidade de açúcar e que isso não é bom”, afirma Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Em casa

A maior parte do açúcar consumido (64%) é adicionado ao alimento na preparação final, destaca o Ministério da Saúde. Os outros 36% provêm dos industrializados. Por isso, médicos e nutricionistas lembram a necessidade de educação alimentar.

“Tem paciente que gosta de iogurte e geleia de morango e adoça o suco. Ou seja, ela não gosta da fruta, mas do açúcar, que é mesmo viciante, com efeito no cérebro similar a droga”, explica Karine Fonseca, nutricionista especializada em obesidade e emagrecimento da Clínica Penchel, em Belo Horizonte.

Percentuais

No acordo firmado, ficou decidido que as metas serão monitoradas a cada dois anos, sendo a primeira análise no fim de 2020. O Ministério da Saúde analisou critérios que envolvem desde o consumo total até o percentual de produtos a serem reformulados para atingirem a meta. 

Biscoitos terão os maiores percentuais de redução, 62,4%, seguidos de produtos lácteos, com 53,9%. Para as misturas prontas para bolos, a meta é de 46,1%. Bebidas açucaradas, 33,8%; bolos, 32,4%, e achocolatados, 10,5%.

O acompanhamento do ac<CS9.4>ordo será feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Fazem parte da decisão, além do Ministério da Saúde, Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi) e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos).

(*) Com Agência Brasil