Estar com família e amigos, e compartilhar carinho são experiências que todos buscam vivenciar nas festas de Natal e Ano-Novo, mas, para quem está longe de casa, esse período se torna ainda mais difícil. É o caso dos refugiados, que na maioria das vezes perdem o contato com aqueles que amam e com as tradições da terra onde nasceram. 

Em Belo Horizonte, um grupo de voluntários se reuniu para fazer uma ceia natalina, nessa sexta-feira (27), para um grupo de 31 refugiados venezuelanos. Os estrangeiros, entre crianças e adultos, vieram de Roraima para Minas, onde recomeçarão suas vidas na capital e em cidades do interior.

O grupo foi recebido pela Cruz Vermelha após ser reconhecido pelo governo brasileiro na condição de refugiado e chegou em aviões da Força Aérea Brasileira. "A Cruz Vermelha tenta garantir a dignidade dessas famílias, que chegaram em condições difíceis ao Brasil e estão agora recomeçando suas vidas. São histórias de vida diferentes, pessoas de muitas regiões da Venezuela que precisam agora do nosso primeiro apoio humanitário para seguir adiante. Este é o papel da instituição e é o trabalho que já realizamos três vezes com grupos de refugiados neste ano de 2019", explica Bernardo Eliazar Mattos, diretor de Projetos e Captações da Cruz Vermelha Brasileira em Minas Gerais.

Festa Natal Venezuelanos

As crianças foram surpreendidas pelo Papai Noel, que distribuiu brinquedos, abraços e afeto. A ceia natalina trouxe às famílias um pouco de conforto e esperança em um novo recomeço. “Estou feliz aqui”, disse o bombeiro hidráulico Ysnaldo Leal, 46 anos, que chegou a trabalhar por um tempo em Boa Vista, Roraima, mas precisou deixar o Estado após ficar desempregado. Ele foi com toda a família e comemorou o aniversário de um dos filhos. “Não esperávamos por esse recebimento dessa forma. Espero que seja um começo de coisas boas”, desabafa.

Festa Natal Venezuelanos

Ainda sem falar quase nada em Português, Jessica Chacon, de 24 anos, chegou em BH com o marido e a filha de um ano. “Sinto emoções diferentes, esperança de começar novamente a vida com minha filha e ao mesmo tempo tristeza pelas outras pessoas da minha família que deixei”, disse a estudante. Para a jovem, o idioma é um dos novos desafios, mas ela conta que já tem uma boa impressão de Minas, seu novo lar a partir de agora. “Fui muito bem acolhida e estou esperançosa com o que virá daqui para frente”, conclui

Refugiados

O número de refugiados venezuelanos está quase ultrapassando o de sírios e deve se tornar a maior crise de refugiados da história moderna. Cerca de 16% da população já deixaram o país, o que significa 4,6 milhões de venezuelanos fugindo da crise humanitária, número próximo ao de sírios, 4,8 milhões. Como não há saída próxima no horizonte, a Agência de Refugiados das Nações Unidas estima que esse número pode chegar a 6,5 milhões até 2020.

Cruz Vermelha BH

Esta é a terceira vez que a Cruz Vermelha em Minas Gerais recebe população refugiada da Venezuela no ano de 2019. No dia 20 de julho, um grupo de 76 pessoas do país vizinho desembarcou no estado e foi acolhido pela instituição. Em 28 de agosto, outros 32 refugiados foram recebidos pela CVB-MG.

Diante da sua situação humanitária, a Venezuela tem recebido apoio das organizações internacionais. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, mais de 30 toneladas de material já foram encaminhadas pelo movimento ao país. Entre as doações estão medicamentos, equipamentos médicos e geradores que serão distribuídos pelos hospitais venezuelanos.

*Com Cruz Vermelha