Como você avalia a sua qualidade de vida? Para os moradores de Itaguara e Belo Horizonte, a situação é boa. A classificação é do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), que divulgou um estudo sobre o Índice de Bem-estar Urbano (Ibeu) em 289 municípios de 15 regiões metropolitanas no Brasil.
 
A Grande BH ficou em sétimo lugar. Teve o desempenho comprometido principalmente pela mobilidade urbana, um dos quesitos avaliados na pesquisa. Nessa parte de Minas, o deslocamento de casa para o trabalho foi considerado o segundo pior do país, com nota 0,365 – o máximo é 1. Ficou à frente apenas do da região metropolitana de São Paulo (0,032). O outro gargalo foi a habitação.

No entanto, os mineiros se destacam com a quarta melhor oferta de serviços coletivos urbanos (0,869), como rede de água e esgoto, fornecimento de energia elétrica e coleta de lixo.


A melhor

Com Ibeu de 0,863, Itaguara, a 95 km da capital, é a campeã em qualidade de vida na RMBH. No país, fica em 17º lugar, deixando para trás BH, 2ª cidade em Minas em bem-estar e a 25ª no ranking nacional.

A posição surpreendeu até o prefeito Alisson Diego Batista Moraes, já que os recursos do município de 12,5 mil habitantes seriam poucos em comparação aos de outras cidades. “Mas, aqui, os ônibus interligam os bairros e até as comunidades rurais. A coleta de lixo cobre toda a cidade e o déficit habitacional é de apenas 2%”, afirma.


Entraves

Para o diretor-geral da Agência de Desenvolvimento da RMBH, Gustavo Horta Palhares, os principais problemas da Grande BH, trânsito e habitação, são reflexo do crescimento desordenado nos últimos 50 anos e da centralização do polo comercial na capital.

“Há um histórico de ocupações irregulares e falta de planejamento urbano. Isso ‘cria’ longas distâncias. A solução passa por obras viárias e descentralização de polos. Mas é um trabalho de longo prazo”.

A presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas (IAB-MG), a urbanista e paisagista Rose Guedes, diz que, apesar de boa notas, a Grande BH ainda enfrenta desafios. “É preciso melhorar calçadas e serviços e principalmente a mobilidade urbana. No entanto, há um processo de planejamento e qualificação em andamento”.
 
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