O clima de tensão permanece, nesta sexta-feira (14), pelo terceiro dia consecutivo, no acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, no Sul de Minas. Moradores que habitam a área há mais de 22 anos querem a suspensão da reintegração de posse durante a pandemia de Covid-19.

A Polícia Militar segue na região. De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que acompanha a ação, os militares utilizaram durante a tarde desta sexta bombas de gás para a dispersão popular e, ainda conforme o MST, há relatos de pessoas feridas.

Além disso, os integrantes do MST afirmaram que a PM utiliza veículo blindado e um helicóptero para a intimidação dos moradores.

Em transmissão ao vivo no perfil oficial da polícia no Facebook, a capitão Layla afirmou que a PM cumpre determinação judicial e que foram completadas mais de 50 horas de negociação com os moradores.

"Infelizmente, pessoas atreladas ao movimento têm difundido mentiras a respeito da Polícia Militar. Mentiras horríveis, como se nós estivéssemos massacrando as pessoas", declarou. A reportagem entrou em contato com a corporação para obter informações sobre supostos feridos durante a ação e sobre bomba de gás e aguarda retorno. 

Na internet, movimentos sociais têm empenhado mobilização para pressionar o governo de Minas na suspensão do despejo. Nessa terça, o Estado afirmou que não tem competência para cancelar a ordem judicial e que apenas o Poder Judiciário pode fazê-lo.

Segundo o governo, as famílias de moradores do acampamento estão sendo realocadas pela Prefeitura de Campo do Meio.

Nessa quinta, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que acompanha a ação, informou que entrou com um pedido no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a reversão da ordem de reintegração.

Na manhã desta sexta, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que um grupo de manifestantes bloqueou totalmente o tráfego na rodovia BR-116, na altura do km 406, no trevo com a BR-259, por volta das 7h30, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O trânsito foi liberado cerca de duas horas e meia depois.

O acampamento

O terreno particular, de propriedade da Fazenda Ariadnópolis, tem 40 hectares e é ocupado por cerca de 450 famílias desde 1998. Os moradores do acampamento, conforme o MST, são referência na produção agroecológica na região, com plantio de cereais, milho, hortaliças e frutas no território. 

Ainda de acordo com o movimento social, a área ocupada pertencia a uma usina que teria falido na década de 1990, deixando diversos processos trabalhistas em aberto.

A ordem para despejo do espaço foi expedida pela Comarca de Campos Gerais, na mesma região.