Após receber uma denúncia de que um jovem negro sofreu agressão dentro do Campus Pampulha no último sábado (28), a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, autorizou a instauração de sindicância investigatória para apurar o caso. Conforme a denúncia formalizada em um Boletim de Ocorrência, o homem de 32 anos foi agredido por seguranças terceirizados próximo ao prédio da Faculdade de Letras. A ação foi filmada por várias pessoas.

De acordo com a universidade, a sindicância investigatória é uma medida concreta para que a apuração dos fatos “assegure a oportunidade de manifestação a todos os envolvidos e para que a UFMG atue com base na justiça e na igualdade, cumprindo sua missão como instituição pública que preza pelo respeito à diversidade e pelo compromisso com os direitos humanos”.

Na nota oficial, divulgada no início da tarde desta segunda-feira (30), a reitora e o vice-reitor, Alessandro Fernandes Moreira, informam que a UFMG “expressa seu repúdio a quaisquer atos de violência, opressão, constrangimento, praticados contra integrantes da Instituição ou membros da comunidade externa”.

Grupos de alunos apresentaram repúdio ao caso de violência. Além do Diretório Acadêmico dos alunos da Faculdade de Letras, o Movimento Negro UFMG se manifestou nas redes sociais contra o ato:

 

O caso

Conforme o relato no BO, o homem chegou ao campus na manhã de sábado para regularizar a matrícula em um curso de inglês no Centro de Extensão (Cenex), na Faculdade de Letras (Fale). Ele foi abordado por um segurança-chefe e apresentou seus documentos. Foi liberado para entrar na universidade, mas seus passos foram acompanhados por seguranças e pelo chefe.

Após o homem entrar na Faculdade de Música (o primeiro prédio após a entrada principal), houve uma segunda abordagem. Questionado por que havia mudado a direção em relação à Fale, o homem afirmou que queria beber água. Mais uma vez, foi liberado para seguir caminho, mas os seguranças teriam feito uma terceira abordagem, próximo ao Cenex, dizendo que o homem estava fingindo ser aluno para assaltar estudantes.

Segundo o relato, os seguranças o imobilizaram, dando um golpe mata-leão, segurando seus pés e lhe dando chutes. Após um grito da vítima, várias pessoas apareceram e passaram a filmar a agressão. Depois disso, os seguranças teriam ido embora e o caso registrado em um livro próprio da Fale.

Paralisação

Professores da UFMG planejam fazer uma paralisação durante 48 horas – quarta (2) e quinta (3) – para protestar contra o contingenciamento das verbas destinadas às universidades e às agências de fomento. Entidades representativas dos alunos da universidade já se manifestaram à favor da paralisação e devem participar dos protestos.

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