Relatório aponta 'morte' de mais da metade do rio Paraopeba

Da Redação
27/02/2019 às 17:23.
Atualizado em 05/09/2021 às 16:45
 (Gaspar Nobrega/Divulgação)

(Gaspar Nobrega/Divulgação)

Em expedição independente pelo rio Paraopeba e pelas cidades que ele margeia, os ambientalistas da Fundação SOS Mata Atlântica detectaram que o trecho de pelo menos 305 quilômetros de sua extensão está morto. Considerando que o curso d'água tem pouco menos de 550 quilômetros de extensão, isso corresponde a cerca de 55% de todo o rio. 

Os especialistas iniciaram a expedição no dia 31 de janeiro, seis dias após o rompimento da barragem I da Mina do Feijão da Vale em Brumadinho, e foram percorrendo o caminho da lama até o dia 9 deste mês, quando a pluma de rejeitos chegava ao Reservatório de Retiro Baixo, entre as cidades de Pompéu e Curvelo. 

Ao todo, foram percorridos 2.000 quilômetros por estradas, desde o local do rompimento até Felixlândia, passando por 21 cidades e contemplando os 305 quilômetros do rio, trecho afetado pelo rompimento da barragem. 

Foram coletadas amostras de água para análise de qualidade em 22 pontos diferentes, dos quais 10 apresentaram resultado ruim e 12 péssimo. Metais pesados foram encontrados ali, como manganês, cobre e cromo em níveis muito acima dos limites permitidos pela legislação. Além disso, 112 hectares de florestas nativas foram devastados, sendo que 55 hectares eram áreas bem preservadas. 

“Os metais presentes na água nessas quantidades são nocivos ao ambiente, à saúde humana, à fauna, aos peixes e aos organismos vivos. Eles são reconhecidamente poluentes severos e podem causar diversos danos aos organismos, desde interferências no metabolismo e doenças, até efeitos mutagênicos e morte“, afirma Marta Marcondes, professora e coordenadora do Laboratório de Análise Ambiental do Projeto Índice de Poluentes Hídricos (IPH), Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).  

Para se ter uma ideia, enquanto a norma legal vigente considera segura uma concentração máxima de cobre na água de rios como Paraopeba em 0,009 mg/L, após o rompimento, alguns pontos do curso d'água chegaram a concentrar mais de 4mg/L. O contato com a água contaminada pode causar náuseas, vômitos, rigidez muscular, tremores das mãos e fraqueza. 

Conforme aponta ainda o relatório, a região do Alto Paraopeba, estratégica para a manutenção dos recursos hídricos da bacia e do rio São Francisco, foi a mais impactada pelo despejo de 14 toneladas de rejeitos de minério no rio. O relatório pode ser acessado na íntegra, clicando aqui. 

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