Considerado o maior primata das Américas, candidato a mascote do Brasil nas Olimpíadas de 2016, o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) tem um berçário natural na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, Leste do Estado.

Nesse importante remanescente de Mata Atlântica, com 957 hectares, estão abrigados mais de 300 indivíduos, 30% da população total da espécie, estimada em mil animais. A esperança dos guardiões é de que durante os jogos olímpicos nasçam ideias e ações para salvar a espécie da extinção.

Povo manso

Conhecido pelos índios como “povo manso das florestas”, os muriquis foram identificados pelo pesquisador Álvaro Aguirre.

Menos de 50 animais foram encontrados na mata de Caratinga. Essa espécie é endêmica da Mata Atlântica, e, atualmente, pode ser encontrada em Minas e no Espírito Santo.

Segundo o gerente de projetos da RPPN, o biólogo Marcello Nery, de lá para cá muita coisa mudou. A população cresceu e hoje está estimada em mais de 300 animais, divididos em quatro grupos.

“Existem ao todo 12 populações de muriquis, cerca de mil indivíduos, na natureza; como 30% deles estão aqui, a reserva é importante refúgio”, enfatiza.

Eles estão sempre em grupos. O biólogo não sabe por quanto tempo vivem. A fêmea atinge a maturidade sexual por volta dos 7 e 9 anos de idade. Evitam o problema da consanguinidade.

Alimentação

A média é de um filhote a cada dois anos. “Todo ano nascem entre 10 e 15 indivíduos”. Alimentam-se de folhas e frutos da mata nativa. Nery lembra que a presença do muriqui é sinal de mata preservada e símbolo da biodiversidade.

Tanto é que lá vivem também outras espécies de macacos, como o prego, barbado e o sagui, e também felinos como onça-parda e jaguatirica e mais de 300 espécies de aves.

Na seca, quando descem mais vezes das árvores para beber água, os muriquis se tornam presas fáceis para os predadores. Entre eles estão os felinos, mas, sobretudo, os cães domésticos. As armadilhas fotográficas registraram 35 cães diferentes.

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