A falta de infraestrutura de unidades públicas de pronto-atendimento de Belo Horizonte compromete 23% da reduzida frota de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com servidores públicos, que pediram para não ser identificados, diariamente, seis dos 26 veículos equipados para o transporte de doentes e feridos ficam retidos por 12 horas, em média, por causa da escassez de macas. Sem o equipamento nos hospitais, as ambulâncias são obrigadas a aguardar na porta até que a internação seja concluída.

Enquanto a maca do Samu não é devolvida, os socorristas não podem trabalhar. “A frota já é pequena e, com algumas viaturas fora de circulação, não há como atender, em tempo hábil, a todos os chamados”, revela um técnico em enfermagem do Samu. Segundo o funcionário público, o problema é registrado com mais frequência no Hospital Municipal Odilon Behrens e nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) Centro-Sul, Nordeste e Primeiro de Maio. Os reflexos negativos ocorrem em efeito cascata. Sem as camas para transportar pacientes e as ambulâncias, a população é diretamente prejudicada. “Por hora, uma ambulância inoperante deixa de socorrer uma média de dez pacientes”, afirma o técnico em enfermagem.

 



Na última terça-feira, o Hoje em Dia constatou o problema. Uma ambulância ficou parada por mais de três horas no Odilon Behrens porque a maca que transportava um paciente ficou retida até ele ser internado. No dia seguinte, uma equipe do Samu circulou com uma idosa de 67 anos por mais quatro horas, até conseguir atendimento. A filha da vítima, Luciene Coelho Pereira, relatou que várias Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de BH negaram a internação da mãe dela. “Os responsáveis pelos centros médicos alegavam que o problema era a falta macas”, disse Luciene.
Discrepância

Uma maca simples, usada pelo Samu, custa R$ 500, valor 400 vezes menor que o de uma ambulância mais equipada (R$ 200 mil).

O atendimento do Samu não se restringe à capital, mas também a municípios vizinhos como Nova Lima, Pedro Leopoldo, Sabará e Santa Luzia. Há casos em que os servidores são obrigados a negociar a internação de um paciente. “Isso é muito comum acontecer. Sobre o pretexto de falta de macas em salas de emergências, as unidades médicas municipais só aceitam receber um paciente mediante negociação, ou seja, é exigido que a maca fique retida para que a pessoa doente ou ferida seja atendida”, denuncia o servidor público.

No mês passado, o prefeito Marcio Lacerda vetou o projeto que proibiria a retenção de equipes, equipamentos, macas e ambulâncias do Samu nos hospitais de BH.

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