“Os empresários, confortavelmente, vão tendo os maiores lucros. Só em 2019, a rentabilidade estimada com a retirada dos cobradores foi de R$ 210 milhões. Se você retira o cobrador, mas não abaixa a passagem, você está se apropriando indevidamente desse valor”, opinou o presidente da Associação de Usuários de Transporte Coletivo da Grande BH (AUTC), Francisco de Assis Maciel.

Em outubro do ano passado, a AUTC ajuizou uma ação no Ministério Público de Minas Gerais sobre a retirada desse profissional das linhas, solicitando um reajuste negativo no preço da passagem. Segundo a associação, o MP determinou aos empresários do setor uma multa de R$ 120 milhões, a ser revertida em investimentos no próprio sistema. Em março, a AUTC vai pedir nova audiência para acompanhar o caso, que está em curso.

A BHTrans entende que o preço da tarifa é importante fator para compreensão da utilização do transporte. “Quanto mais baixa puder ser, mais atraente o serviço será”, disse Sérgio Carvalho. 

Por essa razão, a empresa afirma que busca captar todo tipo de receita do serviço. “A BHTrans procura captar todo tipo de receita, como as tarifárias (pagas pelo usuário), quanto as mídias (propagandas). Tudo isso são receitas contabilizadas para que se chegue à tarifa final”, afirmou.

LIMINAR

Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte conseguiu derrubar judicialmente uma liminar que obrigava o aumento da tarifa do transporte coletivo na cidade. Na ocasião, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) fez reuniões com representantes do Setra-BH e afirmou que não aceitaria um reajuste da passagem, que está em R$ 4,50 – segundo valor mais caro do país. A expectativa é a de que a tarifa continue nesse patamar até o fim de 2020.

A reportagem questionou o Setra-BH sobre as reclamações da Associação de Usuários de Transporte Coletivo da Grande BH (AUTC) e também sobre o preço da passagem, mas não obteve retorno.

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