O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, afirmou nesta quarta-feira (29), que novas reuniões no próximo fim de semana poderão definir se haverá, ou não, reajuste das tarifas do transporte público por ônibus na capital mineira.
 
Durante a durante apresentação do Projeto Boa Ideia, o prefeito falou sobre o assunto do pedido de aumento das passagens pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), após a entrega da entidade alegando prejuízo com a operação do sistema.
 
Segundo Lacerda, o reajuste é avaliado há dois meses. "É um assunto complexo que envolve discussão de contrato de concessão. Nós temos de ter muito cuidado, porque é uma responsabilidade séria do poder público e não temos uma decisão ainda. Tivemos uma reunião ontem (terça-feira), teremos mais reuniões no decorrer deste fim de semana para ver o que vai ser feito”, afirmou.
 
O prefeito também reforçou a pressão das concessionárias de ônibus pelo aumento. “Existe uma demanda das empresas fundamentada em auditoria externa. A mesma auditoria que fez o trabalho anterior refez o trabalho avaliando se os parâmetros de custo e receita presentes no trabalho anterior se realizaram na prática e isso envolveu a discussão de muitos detalhes e ainda falta alguma discussão. Passamos todas as informações ao Ministério Público e temos ainda alguns detalhes a debater. Falta terminar as discussões, porque qualquer decisão que seja tomada tem que respeitar a legalidade, o aspecto técnico”, pontuou Marcio Lacerda.
 
Justiça
 
O pedido de liminar da Defensoria Pública de Minas Gerais para proibir qualquer tipo de aumento das passagens de ônibus de Belo Horizonte foi negado pela Justiça na última sexta-feira (24). 
 
Segundo a Defensoria Pública, a decisão do juiz da 4ª Vara de Feitos da Fazendo Municipal não há indícios de que haverá aumento no valor das passagens neste momento e que a própria BHTrans alegou que não pretende autorizar o reajuste.
 
Em função da recusa da liminar, a defensora pública Junia Roman, autora da ação cautelar, informou que interpôs, imediatamente, embargos declaratórios solicitando que o magistrado altere a decisão, com a análise da documentação juntada pelo município.
 
Crise
 
Conforme o Hoje em Dia mostrou em 15 de julho, alegando falta de dinheiro para honrar os compromissos trabalhistas, o Setra informou que para realizar o pagamento do PLR, teve que realizar uma série de cortes. Entre os serviços prejudicados estão o pagamento de fornecedores de insumos essenciais, como combustível e pneu, e também os painéis informativos. O sindicato também alegou que outros riscos, como a suspensão do fornecimento de diesel.
 
O Sindicato patronal chegou a enviar estudos para a BHTrans. A alegação era de constantes prejuízos e a necessidade de revisão contratual. O Setra chegou a sugerir o aumento das tarifas de 11,8%, ou seja, indo de R$ 3,10 para R$ 3,45.
 
Os empresários tentam ainda adiar o acerto de contas com planos de saúde e de alimentação dos empregados. Outra frente de negociação busca a compreensão de instituições bancárias financiadoras do Move. Para o sindicato, se não houver acordo, existe a possibilidade de veículos serem confiscados.