O surto de gripe no Norte do país, que já matou pelo menos 28 pessoas, levou Minas a antecipar em duas semanas a campanha de vacinação contra a doença. Os casos no Amazonas, conforme especialistas, chamam a atenção porque começaram antes do período crítico da enfermidade, que tem maior incidência no fim de junho.

Soma-se a esse cenário a preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS) com a possibilidade de pandemia, quando há muitas ocorrências de patologias se espalhando rapidamente em pelo menos duas nações. Situação semelhante ocorreu em 2009. Na época, milhares de pessoas no mundo perderam a vida por conta da gripe suína.

Recentemente, o órgão divulgou a estratégia global de combate à doença. Diretor geral da entidade, Tedros Adhanom alertou, na ocasião, sobre o risco contínuo de um novo vírus influenza transmitido de animais para humanos. “A questão não é se teremos outra pandemia, mas quando”, afirmou.

Há 15 dias, durante um seminário na capital, a diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Janaína Fonseca, destacou a necessidade de alerta diante do cenário atual. “No mundo inteiro observa-se um aumento do número de casos de influenza, indicando que devemos ter uma grande circulação do vírus da gripe no próximo período de sazonalidade”.

Período

Em Minas, a proteção será aplicada de 10 de abril a 31 de maio. “Temos que conseguir manter a meta de cobertura para evitar casos complexos de hospitalização e óbitos”, disse a coordenadora de Imunização da SES, Josianne Dias Gusmão. 

A expectativa é a de imunizar cerca de 6 milhões de mineiros, o que representa 90% do público-alvo. No ano passado, o índice foi 95,8%. Apesar disso, crianças (83,5%) e grávidas (85,1%) ficaram abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde.

Mesmo quem recebeu as doses em 2018 deve comparecer aos centros de saúde. A necessidade decorre das mutações sofridas pelo vírus influenza. 
De acordo com Kelem Chagas, gerente médica da indústria farmacêutica Sanofi Pasteur, existem dois tipos de vírus da gripe: A e B. O primeiro também circula em animais. “Como o ser humano é bem próximo das criações, há uma troca de vírus, surgindo novos tipos. A vacina foi produzida para o tipo existente naquela temporada, ou seja, a proteção é válida por cerca de 12 meses”, explica a especialista.

Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri acrescenta que, ao contrário do que as pessoas acreditam, a gripe pode matar. “Dependendo da temporada, os óbitos passam de mil, sendo que 80% são do grupo de risco”, frisa.

Os 20% restantes, segundo Renato, são pessoas que tiveram complicações, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que ataca o pulmão. Neste ano, 298 mineiros foram internados em decorrência da doença, sendo dez casos associados à influenza. Vinte e três óbitos são investigados.

Sabendo dos riscos, a enfermeira Veridiana Soares Nascimento, de 34 anos, não deixa de participar da campanha. Ela também leva os filhos, de 4 e 1 ano e 8 meses, para serem imunizados. “E quando eles deixarem de fazer parte do grupo prioritário, vou pagar pelas doses (na rede privada)”.

(*Com Renata Evangelista)