O risco do rompimento de novas barragens em Minas tem, literalmente, tirado o sossego de municípios mineradores. Em Barão de Cocais e Itatiaiuçu, na região Central, inúmeras famílias que precisaram sair de casa às pressas na última semana permanecem em hotéis sem saber quando poderão voltar aos lares.

O medo de um desastre semelhante ao de Brumadinho, na Grande BH, causa insônia e aflição a pessoas que levavam uma vida pacata até então. A doméstica Izabela Cristina da Silva, de 20 anos, moradora do povoado de Pinheiros, em Itatiaiuçu, continua insegura mesmo estando no imóvel onde vive.

Na última sexta-feira (8), sirenes da barragem de Serra Azul, da ArcelorMittal, tocaram durante a madrugada colocando toda a cidade em alerta diante da possibilidade de um novo rompimento. 

Izabela conta que foi autorizada a voltar para a residência, já que a edifica-ção estaria localizada em uma área fora de risco, mas não conseguiu mais dormir. “No dia da evacuação eu estava dormindo, foi um susto enorme”, relata. “Agora a barragem continua no nível 2 de risco e a gente sem saber o que vai acontecer”, explica, com angústia, a mulher. 

Pelo menos mais 120 moradores permanecem hospedados na vizinha Itaúna, conforme explica a secretária de Meio Ambiente de Itatiaiuçu, Mariana Martins. “O perigo permanece o mesmo, e estamos procurando dar toda assistência, ouvir a população, já que a situação gera medo”.

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Ansiedade

Em Barão de Cocais, que tem pouco mais de 32 mil habitantes, a ansiedade também parece ter chegado para ficar. Desde o momento em que o alarme da mina Gongo Soco, da Vale, foi acionado, a população das comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras perdeu a paz.

Segundo o prefeito Décio Geraldo dos Santos, pelo menos 450 moradores estão em hotéis, sem previsão de retorno. Ele afirma que os técnicos que vistoriam o reservatório garantem que o risco de rompimento ainda é real.

“A preocupação agora é garantir que os direitos das pessoas sejam atendidos. Vamos disponibilizar advogados do município para atendê-las”, afirma Santos.

Luto

Em Brumadinho, onde 166 corpos já foram encontrados depois do rompimento da barragem, há 21 dias, o clima é de luto e de tensão. O prefeito Avimar de Melo afirma que mais de 80 moradores estão espalhados em hotéis e que a pressão é para que o trabalho dos bombeiros não pare. “Essas pessoas querem o direito de fazer o velório do ente querido”. 

A Vale informou manter o nível de emergência 2 na barragem da mina em Barão de Cocais e que “está estruturando um plano para acolhimento mais duradouro para os moradores destas regiões”, que ainda será apresentado.

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