No meio de 500 mil pessoas, a mão ergue aos céus para conseguir um mísero sinal para a máquina de cartão de crédito ou débito funcionar. Não importa o bloco, o horário ou o endereço, os vendedores ambulantes do Carnaval de BH são o símbolo da necessidade de faturar na folia.

O carrinho carrega a caixa de isopor lotada de gelo, cobrindo as mais variadas bebidas alcoólica para “animar” os foliões. Descontos são aceitos, e a forma de pagamento ganhou alternativa para aumentar o rendimento do comércio informal. Aceitar cartões de crédito e débito foi uma inovação para ambulantes alavancarem os lucros.

“A máquina de cartão agrada o público, que não precisa expor as cédulas, pagando no cartão. Para mim, ajudou a vender mais”, afirmou a ambulante Thays Cardoso, na esperança de faturar até R$ 1 mil por dia no Carnaval, sendo 40% na “maquininha”.

Thays fez parte de uma tropa pronta para matar a sede nos blocos e colorir as ruas. São 8.940 ambulantes cadastrados pela Prefeitura de BH na venda de bebidas e também adereços carnavalescos. 

Entretanto, eles enfrentaram uma concorrência de potenciais clientes, já que muitos foliões preferiram levar a própria bebida para os bloquinhos, também em caixas de isopor e carrinhos de feira adaptados.

E se a bexiga estivesse cheia longe do banheiro químico, o jeito era negociar com algum dono de bar para usar o estabelecimento. O Bar 307, na avenida Santos Dumont, cobrava R$ 3 para os foliões “se aliviarem”.

Casas adaptadas

Fora dos circuitos das grandes avenidas, o Santa Tereza foi o bairro mais carnavalesco de BH. Por lá, casas foram transformadas em bares e restaurantes.

Na esquina das ruas Mármore e Ângelo Rabelo, o engenheiro Elisio Chelotti abriu no casarão o “Tropeiro do Guido”.

“Peguei a casa da minha tia emprestada, por ser localizada numa rua cheia de blocos. Espero faturar R$ 7 mil neste Carnaval”, disse.