O estudo com o impacto do rompimento da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas, revela a devastação que o mar de lama provocaria no município e em cidades vizinhas. O chamado "dam break" aponta para moradores que estejam na rota dos rejeitos e "inundação generalizada de áreas rurais e urbanas" em Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Conforme o estudo, além de interrupções de estradas, os moradores teriam o abastecimento de água e luz interrompido. Nas três cidades, a população que precisará ser retirada de casa para não ser levada pela lama ultrapassa 10 mil pessoas, sendo 6.052 em Barão de Cocais, 2.444 em São Gonçalo do Rio Abaixo e 1.700 em Santa Bárbara. Todos esses municípios já passaram por simulados de evacuação para saber para onde correr em caso de rompimento da barragem.

Ainda segundo o "dam break", a lama também iria devastar áreas de preservação permanente "nas faixas marginais ao leito dos cursos de água". O relatório prevê, ainda, "assoreamento de cursos de água a jusante, com deposição de rejeitos no leito e planícies de inundação e possível alteração da calha principal".

De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, que teve acesso ao "dam break", o documento mostra que haveria "alteração ou remoção da camada vegetal e do hábitat, remoção do solo de cobertura, deposição de rejeitos e demais prejuízos a fauna e flora características da região".

A mineradora Vale, responsável pela barragem, foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou.

Risco

A barragem Sul Superior teve nível de segurança elevado a 3, que indica risco iminente de ruptura, em 22 de março. No dia 13 deste mês, a Vale informou às autoridades que o talude da mina da represa poderia desmoronar, ocasionando abalo sísmico que poderia fazer com que a Sul Superior se rompesse.

*Com Estadão Conteúdo

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