Na capital brasileira dos bares, inverno não espanta a clientela. No máximo, muda o pedido. Em vez de sair em busca da loura gelada, belo-horizontinos e turistas podem aproveitar os roteiros onde é possível degustar cervejas artesanais, mais encorpadas e apropriadas para a estação. De quebra, podem conferir o processo de fabricação da bebida, em um Beer Tour.
 
Uma das principais diferenças entre as cervejas comerciais e as artesanais é o teor alcoólico, mais elevado do que nas marcas industrializadas, assim como o preço. Para quem resolve experimentar, Ingrid Chlad Paulinelli, do Café Viena Bier, sugere começar da mais fraca para a mais forte, pra ir preparando o organismo.
 
Aberta há 15 anos no bairro Santa Efigênia, região Centro-Sul da capital, o Viena Bier oferece a maior carta de cervejas da América Latina, com 1.100 rótulos ao gosto do cliente para acompanhar opções gastronômicos. “A casa está sempre lotada. Meu público é de turistas, todos os dias”.
 
Catarinense radicado em BH e apreciador de cervejas especiais, o empresário Wilson Gutseit dá a dica. “Tem muitos bares para quem quer diversificar o paladar de loiras, ruivas e morenas”, brinca. Descendente de alemães, ele afirma: das microcervejarias saem produtos com cores, aro mas e sabores distintos dos convencionais.
 
Prata da Casa
 
Fabricadas em menor escala, as cervejas artesanais com rótulo mineiro têm qualidade superior, como prova a Dubbel da Wäls, na Pampulha, vencedora da última World Beer Cup, nos Estados Unidos. Todo sábado, de 11h às 17h, a fábrica abre as portas para a clientela. Além de bar e restaurante, tem também uma lojinha que atrai grande público.
 
“São o reflexo de preços mais acessíveis”, diz o mestre cervejeiro José Felipe Pedras Carneiro.
 
A casa foi aberta em 1999 e produz 15 rótulos. Durante o passeio, o visitante pode aprender a fazer a própria cerveja.
 
O Brew Pub Küd recebe visitantes de terça a domingo para um tour pela fábrica, em Nova Lima. “Nossas cervejas podem ser apreciadas na temperatura de 15 graus”, diz o mestre cervejeiro Bruno Parreiras. Os tanques da fábrica são um atrativo à parte. Reverenciam ícones do rock, e cada cerveja ganha nome de música: Smoke on the water, Ruby tuesday... “Vem muita gente de fora, todos os dias”, afirma Parreiras.
 
O circuito das artesanais incentiva a conhecer a gastronomia mineira e apreciar o modo de produção e os sabores dos 55 “estilos” de cerveja da Serra do Curral e adjacências. Haja tempo para provar os prazeres da boa mesa em casas como a Backer, Falke, Krug Bier, Taberna do Vale e Artesamalt e outras. Só a mais antiga microcervejaria da cidade, a Krug Bier, aberta no São Pedro em 1997, tem seis tipos de chope e cinco rótulos da cerveja Áustria.
 
Confraria feminina reúne apreciadoras da cultura cervejeira
 
Criado pela Belotur em 2011, o Beer Tour leva o turista às microcervejarias de BH e entorno e também a bares e lojas especializadas em cervejas especiais. A Libertas Turismo Receptivo oferece o roteiro completo, segundo a Belotur, todos os sábados, de 9h às 16h, ao preço de R$ 180, incluindo café, almoço e 10 rótulos para consumo.
 
Essa “via sacroetílica” parece ter se inspirado no “bando de luluzinhas” que se autodenomina Confraria Feminina de Cerveja (Confece). O grupo, de 10 mulheres com idades e profissões distintas, promove encontros para discutir estilos, ingredientes e processos de produção da cerveja e faz encontros semanais desde março de 2007 para degustar, em média, cinco rótulos diferentes, sempre harmonizados com pratos.
 
“O mineiro tem experimentado a verdadeira cerveja e já entende que tem cerveja para todos os tipos de clima. Com temperaturas mais baixas, a Porter e as belgas – dubbel, trippel e quadruppel – são mais alcoólicas, encorpadas”, sugere Ludmilla Fonttainha, integrante da Confece.
 
“Os rótulos especiais fizeram com que as mulheres se interessassem por outros tipos de cerveja”, conta Lícia Vieira, da Gusto, que distribui 300 rótulos diferentes. Uma das fundadoras da Confece, ela explica que a microcervejaria, característica da Europa e dos EUA, abrange raio de 100 km e não se expande a outras regiões.
 
A confraria resgata o envolvimento feminino na cultura cervejeira e estimula o consumo responsável, dirigindo os encontros para a qualidade da bebida. Mas quem tem sede não precisa aguardar o próximo festim das moças, basta visitar o Jardim Canadá, em Nova Lima, na Grande BH, que concentra pelo menos oito cervejarias artesanais.
 
Bares e restaurantes dão destaque para bebidas artesanais
 
Cervejas especiais são as estrelas de vários bares de BH. No Santo Antônio tem o Adriano Imperador da Cerveja e o Seu Romão. No Funcionários, o Café Viena Beer. No Anchieta, há o Celtic Irish Pub
No Santo Agostinho, o Haus é a melhor pedida. Na Serra tem a Mello Pizzaria.
Em Lourdes há a Piu Pizza e Birra e o Empório Serafina. No Sion fica o Reduto da Cerveja. No Prado, destaque para o Agosto Butiquim e o Rima dos Sabores.
Na Savassi, Stadt Jever, Vintage 13 e o Cult Club Cine Pub (CCCP) e Duke’n’Duke se destacam.