A insegurança entre os taxistas da capital é crescente. Entre janeiro e novembro de 2016, 366 profissionais foram vítimas de roubos em BH, uma alta de 19,2% em relação aos 307 registros do mesmo período de 2015. Os atos violentos ocorrem em diferentes pontos da cidade e em horários diversos, forçando a polícia a montar operações especiais para tentar coibí-los. 

Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e mostram que a situação em Belo Horizonte segue a mesma tendência do Estado.

Em toda Minas Gerais, foram registrados 837 assaltos e furtos contra esses profissionais de janeiro a novembro do ano passado. Como em 2015, em igual intervalo de tempo, foram 751, a elevação chegou a 11,45%.

Vítimas

Encontrar taxistas que tenham passado por essa situação nas ruas da capital não é difícil. Em um ponto no bairro Nova Suíça, na região Oeste, ocorreram cinco assaltos apenas em 2017. O mais recente aconteceu no último fim de semana e, por pouco, não terminou em tragédia. 

Jefferson Ribeiro foi uma das vítimas. Ele conta que, na madrugada de sábado, dois assaltantes armados renderam os taxistas que aguardavam passageiros.

“Eu não quis entregar o celular porque achei que a arma era de brinquedo. Aí eles bateram com ela no meu rosto e levaram os celulares dos outros dois colegas que estavam no ponto”, afirma. 

Três dias depois do assalto, a testa de Jefferson ainda está marcada. Câmeras de segurança chegaram a registrar o momento, mas os bandidos ainda não foram localizados. 

Frequente

O veterano nas ruas Gil Araújo Sena já passou por situações parecidas por 12 vezes nos 45 anos na profissão. Na última, neste ano, assaltantes armados levaram R$ 180 e o celular dele. No ano passado, até o veículo dele foi roubado. 

“Me jogaram para fora do carro e levaram tudo. Até por duas mulheres eu já fui assaltado. Está cada dia mais difícil trabalhar”, reclama. 

Mesmo com 24 anos de carreira, Jacir Vicente Pereira, agradece a Deus por ter passado por essa situação apenas uma vez. E foi no mês passado. Quando parava no ponto de táxi, um homem entrou armado no veículo e pediu que ele seguisse viagem. No caminho, roubou o celular e os R$ 50 que tinha no bolso. “Agora dá medo até da sombra. O negócio está difícil”, lamenta. 

Crise

Para o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Minas Gerais (Sincavir-MG), Adelino Moreira Araújo, a crise econômica é a principal justificativa para o aumento dos roubos. 

De acordo com o major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da PM, as ações de fiscalização dos táxis foram intensificadas no Estado. “A PM tem investido para coibir esse tipo de ação criminosa e estamos confiantes de que haverá resultado”, afirma.