A sensação de insegurança ronda quem trabalha e transita pela avenida Nossa Senhora do Carmo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na manhã da última sexta-feira (23), o condutor de um Uno branco foi abordado por dois homens armados, que fugiram levando objetos pessoais e a carteira da vítima. Mas essa não foi uma ocorrência isolada. O Hoje em Dia percorreu a via entre o trevo de acesso ao bairro Belvedere e a avenida do Contorno, ouviu diversos relatos de assaltos e se deparou com o medo da população – o que levou a maioria dos entrevistados a preferir não ter o nome revelado.

Experiências

Há nove meses trabalhando às margens da avenida, a funcionária de uma loja de alimentos, já perdeu as contas do número de vezes em que assistiu, de trás do balcão, alguém ser assaltado do outro lado da via. “Isso acontece, principalmente, nos pontos de ônibus. Muita gente entra na loja para se proteger. Os bandidos descem a pé e voltam correndo para o Morro do Papagaio. A maior parte deles é adolescente”, conta.

Segundo ela, cada dia que passa o cenário se agrava e, pelo menos três vezes por semana, ela testemunha um assalto. “Na maior parte das vezes, os bandidos conseguem roubar, de fato. O problema está só piorando”, apontou.

O taxista Elias Ribeiro, de 54 anos, soma 32 de profissão e circula diariamente pela Nossa Senhora do Carmo. Acostumado a presenciar assaltos, ele lamenta a falta de segurança no local. “No trevo do Belvedere é pior ainda, porque fica mais perto do aglomerado. Lá tem muito bandido que anda armado”, diz, justificando o fato de ainda circular na região. “A gente tem que trabalhar, e esse tipo de situação faz parte da vida”, conclui.
 
Elias Ribeiro precisa continuar circulando na avenida por causa do trabalho; “faz parte da vida”

Em outra loja, os funcionários também reforçam as reclamações de todos que frequentam a avenida. Um deles é morador do Morro do Papagaio – por isso, pediu para não ser identificado – e confirmou que o grupo que age na via reside no aglomerado. “Isso aqui está um inferno. O sujeito é preso em um dia e solto logo depois para voltar a atacar”, reclama.

Para o professor de Direito Penal da Universidade Fumec, Guilherme Orlando Anchieta Melo, situações como essas evidenciam que é preciso mudar o discurso de combate à criminalidade. “As pessoas devem perder a ilusão com o sistema punitivo, porque ele não é solução. Nossas prisões se tornaram escritório do crime. Precisamos, na verdade, de políticas mais sérias em relação à educação e o futuro dos jovens”, afirma.

Resposta

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o 22º Batalhão tem intensificado as operações e as ações na avenida, “aumentando o patrulhamento ostensivo a pé, motorizado e realizando operações policiais pontuais”. O texto ainda diz que, “em decorrência das ações implementadas, houve uma redução na incidência criminal de 50% nos crimes violentos de 2014, em relação ao mesmo período do ano de 2013”. A nota, no entanto, não fala em mais reforço do policiamento. 
 
A Rádio 102.9 e o Jornal e Portal Hoje em Dia, do Grupo Bel, fazem hoje uma reportagem especial em resposta as queixas de ouvintes e leitores da rádio e do jornal, que enviam cartas e e-mail descrevendo o cenário de insegurança da Avenida Nossa Senhora do Carmo. Ouça: