A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou ter processado, até a manhã desta quarta-feira (22), o recolhimento voluntário de 225 lotes de medicamentos à base de cloridrato de ranitidina, de diferentes laboratórios. 

Esses recolhimentos ocorreram em razão do comunicado publicado pelo órgão na última sexta-feira (17/1), que recomendou maior controle das nitrosaminas, substâncias potencialmente cancerígenas formadas durante a síntese de princípios ativos usados na fabricação de medicamentos.

No Brasil, 24 diferentes empresas farmacêuticas possuem medicamentos registrados com o referido princípio ativo, em diferentes apresentações.

Os recolhimentos voluntários são publicados no Diário Oficial da União (D.O.U.) e podem ser acompanhados no portal da Anvisa. A expectativa da Agência é que, dentro dos próximos dias, outros lotes de medicamentos com o princípio ativo cloridrato de ranitidina sigam o mesmo trâmite. 

Diretrizes

Qualquer ato de recolhimento de medicamento, seja voluntário ou não, é obrigado a cumprir as diretrizes da Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa 55/2005. Essa Resolução disciplina os prazos aplicáveis, a necessidade ou não de plano de comunicação em mídia, bem como o acompanhamento a ser realizado pela Agência. Para dar plena informação para a sociedade, a Anvisa publica os recolhimentos, mesmo quando voluntários, no D.O.U. e no seu portal.

Sem alarme

Em entrevista ao Portal Hoje em Dia, na terça-feira (21), a presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), Júnia Célia de Medeiros, informou que o recolhimento voluntário dos medicamentos compostos por ranitidina é preventivo e não deve alarmar quem faz uso desses remédios fora dos lotes e laboratórios que solicitaram a devolução. 

“É uma suspensão temporária até que se investigue se pode haver um contaminante no processo de produção”, disse a farmacêutica.

A recomendação da Anvisa foi dada na semana passada para que houvesse controle por parte dos laboratórios de medicamentos à base de ranitidina, após terem encontrado impurezas chamadas N-nitrosodimetilamina, derivadas da nitrosamina, na produção de insumos do laboratório indiano Sarac. Tal laboratório está com a importação, o uso e a comercialização suspensos para o Brasil. “Essa medida está inserida dentro de uma discussão internacional, é um medicamento muito utilizado”, assinala Júnia Medeiros. 

Até agora, entre os laboratórios que já determinaram o recolhimento de lotes dos remédios estão o Medley, o Aché e a Cimed.