A partir da recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), antecipada por alguns dos laboratórios produtores do cloridrato de ranitidina, para recolhimento de inúmeros lotes desse medicamento - em razão da presença de uma substância potencialmente cancerígena - muitos usuários do remédio estão sem saber como agir.

De acordo com a gastroenterologista e professora universitária Marisa Fonseca Magalhães, da Santa Casa de Belo Horizonte, embora nenhuma associação de médicos ligada à especialidade tenha se manifestado sobre o assunto, no país, o mais prudente, no momento, seria que pacientes que consomem a ranitidina, não importa com que frequência, interrompessem a utilização da medicação.

"Após o alerta da Anvisa, e não apenas em função da medida adotada por alguns laboratórios, o mais aconselhável, de fato, é suspender e substituir a ranitidina por outra medicação. Se for um sintoma leve, pode trocar por um antiácido, apenas. Se for em razão de sintomas mais importantes, um inibidor da secreção ácida, como omeprazol ou pantoprazol, pode ser utilizado. De qualquer forma, é importante voltar a consultar o médico que  receitou o medicamento", disse.

Recolhimento

Até esta quarta-feira (22), a Anvisa informou ter processado nacionalmente o recolhimento voluntário de 225 lotes de medicamentos à base de cloridrato de ranitidina, de diferentes laboratórios, como Medley, Aché e Cimed. 

Tais procedimentos foram motivados por comunicado publicado pelo órgão na última sexta-feira (17/1), recomendando maior controle das nitrosaminas, substâncias potencialmente cancerígenas formadas durante a síntese de princípios ativos usados na fabricação de medicamentos.

No Brasil, 24 diferentes empresas farmacêuticas possuem medicamentos registrados com o referido princípio ativo, em diferentes apresentações.

Os recolhimentos voluntários são publicados no Diário Oficial da União (D.O.U.) e podem ser acompanhados no portal da Anvisa. A expectativa da Agência é que, dentro dos próximos dias, outros lotes de medicamentos com o princípio ativo cloridrato de ranitidina sigam o mesmo trâmite. 

Contraponto

Em entrevista ao Hoje em Dia, na terça-feira (21), a presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG), Júnia Célia de Medeiros, informou que o recolhimento voluntário dos medicamentos compostos por ranitidina é preventivo.

Para ela, tal medida não deveria alarmar quem faz uso desses remédios fora dos lotes e não pertencentes aos laboratórios que solicitaram a devolução. “É uma suspensão temporária até que se investigue se pode haver um contaminante no processo de produção”, disse a farmacêutica.

A recomendação da Anvisa foi dada na semana passada para que houvesse controle por parte dos laboratórios de medicamentos à base de ranitidina, após terem encontrado impurezas chamadas N-nitrosodimetilamina, derivadas da nitrosamina, na produção de insumos do laboratório indiano Sarac. Tal laboratório está com a importação, o uso e a comercialização suspensos para o Brasil. “Essa medida está inserida dentro de uma discussão internacional, é um medicamento muito utilizado”, assinala Júnia Medeiros.