O controle de algumas doenças pode estar ameaçado pela falta de vacinas disponíveis na rede pública de saúde de Belo Horizonte. Há pelo menos um mês, a capital enfrenta problemas no fornecimento de imunizantes, a exemplo de outros municípios de Minas e do Brasil.

No ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 1.119 casos de pacientes com enfermidades para as quais as vacinas não têm sido devidamente repostas. Em 2014, o total foi de 1.333. A catapora, cuja transmissão ocorre com muita facilidade, conforme especialistas, liderou o ranking nos dois anos.

De acordo com o epidemiologista da Coordenadoria de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), José Geraldo Leite Ribeiro, as vacinas têm duas funções, basicamente: a proteção individual e o controle de doenças. No segundo caso, existem metas, como a erradicação da poliomielite e a eliminação do sarampo. "Para que haja controle, não basta termos vacinas eficazes, precisamos de boas coberturas. E isso não ocorre se não tivermos vacinas, evidentemente. Elas foram um ganho importante para a sociedade, conquistado ao longo de décadas de trabalho e de investimentos. Não podemos perder isso, realmente", destaca Ribeiro.

Normalização gradativa

Dentre os produtos em falta em BH estão os imunizantes contra hepatites A e B, antirrábicos, tetraviral, varicela monovalente, tríplice bacteriana, tríplice bacteriana acelular e febre amarela. Segundo a SES, apenas essa última encontra-se com o estoque regularizado, atualmente.

Em nota, a secretaria afirmou que "outras informações sobre o motivo da falta e sobre a normalização da situação da distribuição das vacinas deverão ser buscadas junto ao Ministério da Saúde, órgão responsável pelo repasse do medicamento aos Estados".

Por meio de nota, o Ministério da Saúde garantiu que os contratos com os laboratórios produtores estão em andamento e os pagamentos, em dia. "O Ministério tem buscado soluções para garantir a proteção da população até a produção estar totalmente normalizada", informou.

Ainda de acordo com a nota, até o fim do mês que vem, a distribuição começará a ser feita normalmente em todo o país. Enquanto isso, a orientação passada aos gestores estaduais é otimizar o uso das doses e minimizar perdas por meio do agendamento das vacinas nos postos de aplicação.