Eles parecem inofensivos. Tanto que várias mães não pensam duas vezes antes de lançar mão, por conta própria, de suplementos vitamínicos e afins para
fortalecer os pimpolhos. Mas o que muita gente não sabe é que excesso de vitamina faz mal à saúde. A lista de efeitos adversos inclui lesões na pele, dor
de cabeça e até menor absorção de outros nutrientes, diz a presidente do comitê de nutrologia da Sociedade Mineira de Pediatria, Virgínia Resende Weffort.

Ela explica que vitaminas e microminerais – ferro, zinco, selênio, etc – são fundamentais para o bom funcionamento do organismo. Cada um tem funções
específicas, e a quantidade necessária varia de acordo com a idade.

O problema é que nem sempre os pequenos conseguem tirar da alimentação aquilo de que precisam. “Nos dois primeiros anos de vida, o ritmo de
crescimento é muito acelerado. Se a criança não comer o suficiente, precisará de suplemento”, diz. Nessa fase, os reforços mais comuns são os das vitaminas A e D, de zinco e ferro.

Mas o mocinho se torna vilão quando usado desnecessariamente, sem indicação médica. Se os micronutrientes têm origem natural, o corpo absorve o
que falta e descarta o resto. “Já o que vem dos suplementos se deposita no organismo, indo para outros órgãos”, afirma a pediatra e nutróloga.

O resultado: a vitamina A em excesso aumenta tanto a pressão intracraniana que pode dar dor de cabeça; a D calcifica ossos onde não há necessidade; as do
complexo B comprometem a absorção de outros nutrientes; e a C pode levar ao surgimento de cálculos renais.

Já o zinco além do ideal reduz o aproveitamento do cobre, que aumenta a imunidade. E o ferro é contraindicado para quem sofre de anemia falciforme,
só para ficar em alguns exemplos.

AO NATURAL

Para não cair na armadilha, a aposta é buscar saúde na fonte natural: frutas, legumes e verduras (principalmente folhas verdes), carne, ovos, leite e até o sol.

A quantidade de porções por tipo de alimento, para cada faixa etária, pode ser consultada na pirâmide alimentar da Sociedade Brasileira de Pediatria, na
internet.

Outra dica para acertar a mão ao preparar a comida do filho é pensar em um prato bem colorido, ensina a nutricionista Tatiana Fontainha, da Unimed-BH. Quanto mais diversificado o menu, mais nutrientes terá.

E se a criança torcer o nariz? Nesse caso, caberá aos adultos abusar da paciência e da persistência.

“É preciso oferecer os alimentos várias vezes. O filho não gostou de cenoura ralada? Espere uma semana e apresente de novo, misturado a algo de que a criança
goste”, ensina. Devem se feitas pelo menos cinco tentativas.

Ampliar o menu dá trabalho e leva tempo, mas Tatiana afirma que por mais relutante que a “cria” pareça, não há caso perdido.

Só que os bons hábitos têm que valer para a família inteira. “Os pais são um espelho para os filhos. Se não comem salada, os menores também vão recusar”.

Castigar ou barganhar recompensas para convencê-los a comer direito é outro erro. “Converse. Mostre o que é bacana para a saúde e o que não é interessante”.