'Em ambiente fechado, pelo resto da vida, devo usar máscara', diz secretário de saúde de BH

Marina Proton
mproton@hojeemdia.com.br
25/10/2021 às 08:08.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:07
 (Maurício Vieira/ Hoje em Dia)

(Maurício Vieira/ Hoje em Dia)

A capital mineira não cogita discutir a desobrigação do uso de máscara contra o coronavírus. Na cidade onde 6 mil pessoas morreram após contrair a doença, abandonar o equipamento de proteção ainda parece uma medida distante. Será preciso que 80% dos belo-horizontinos estejam com o esquema da vacinação completo. Hoje, são 60%. 

O secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, já deixou claro que a máscara será uma companheira dele por muitos anos. “Confesso que eu, pessoalmente, enquanto estiver em ambiente fechado, agora para frente, pelo resto da minha vida, devo usar máscara”, disse. 
Veja esse e outros pontos abordados pelo médico, que também já atuou como coordenador do Programa de Doenças Sexualmente transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde e foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Regional MG, por três mandatos. 

Em Belo Horizonte, a cobertura vacinal para muitas doenças está abaixo do desejado. Algumas enfermidades estão até erradicadas, mas podem voltar se a vacinação continuar baixa. Qual a importância da Campanha Nacional de Multivacinação que segue até o dia 29?

É uma oportunidade ímpar que as pessoas têm para evitar que seus filhos venham a adquirir doenças potencialmente muito graves. São doenças que podem ser prevenidas com uma medida simples de vacinação. E a nossa cobertura de vacinação está muito aquém daquilo que gostaríamos. É importante que essas doenças que estão erradicadas, como a poliomielite, continuem sem aparecer. E essa campanha se mantém até dia 29 para permitir que essas pessoas possam se proteger. 

A pandemia atrapalhou a cobertura vacinal?

Certamente. E de uma certa forma foi desejável porque a gente queria afastar as pessoas da possibilidade de contágio. Então, afastaram-se dos centros de saúde e postos de vacinação e foi desejável naquele momento. Mas, com os indicadores atuais da pandemia, já está na hora de retomar essas atividades. O ideal é que a vacinação seja de 100% das pessoas e quanto mais forem vacinadas, melhor. 

Especialistas falam sobre a necessidade de uma imunidade rebanho para acabar com a obrigatoriedade do uso da máscara. Em BH também será necessário chegar a 80% da população com duas doses para começar a tirar a máscara?

Para pensar na possibilidade. Agora, confesso que eu, pessoalmente, enquanto eu estiver em ambiente fechado, agora para frente, pelo resto da minha vida, eu devo usar máscara. Em ambiente aberto, se ele estiver ventilado e não tiver pessoas perto, a gente pode até um pouquinho segurar a máscara na mão por enquanto e, assim que se aproximar de uma pessoa, colocar a máscara. 
 

Os idosos têm aderido à terceira dose da vacina contra a Covid-19?

De uma certa forma estão sim. Existe um certo receio de algumas pessoas. Ou porque tiveram algum efeito colateral anterior, na aplicação das doses, ou porque já se sentem devidamente protegidas. Existem algumas poucas pessoas que ainda relutam em tomar a dose de reforço, mas é importante a gente dizer que essa dose de reforço vai fazer com que a imunidade dessas pessoas se torne ainda maior. Então, é importante tomar a terceira dose.

Qual a orientação para essa população que teme tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19 por receio dos efeitos colaterais?

É interessante porque muitas pessoas que tiveram eventos adversos na primeira dose, depois da aplicação da segunda não tiveram nada. E o habitual de acontecer é isso. À medida que a pessoa vai se expondo a determinado produto, ela deixa de ter os efeitos colaterais daquele produto. Então, é desejável que tome a dose de reforço. 

PBH ainda estuda aderir ao passaporte da vacina?

Logo, logo toda a população vai estar vacinada. Então, esse passaporte vai perder a razão de existir. A gente não pensa em passaporte.

A PBH percebeu que mais pessoas foram testadas contra a Covid-19 após a implantação do Pano Nacional de Testagem?

Sim porque o teste rápido permite uma triagem mais ágil dos casos. Mas o número de testes que recebemos ainda é pequeno. Então, não consigo ainda, neste momento, avaliar qual foi o impacto desse programa. Mas espero que logo tenhamos algum.

O Ministério da Saúde anunciou que o intervalo AstraZeneca será de oito semanas. O intervalo será reduzido aqui em BH?

Nós não recebemos ainda nenhum comunicado oficial do Ministério da Saúde sobre a redução do intervalo de tempo. Se houver a indicação da redução, pelo Ministério, formal, sem dúvida alguma nós vamos aderir.

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