Celebrado nesta terça-feira, (17) de setembro, o Dia Mundial da Segurança do Paciente convida profissionais de saúde e população a se sensibilizarem para um dos mais importantes componentes da assistência, o atendimento seguro aos pacientes. Segundo estimativa da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), cerca de 134 milhões de eventos adversos ocorrem anualmente devido ao cuidado inseguro em hospitais de países de baixa e média renda, contribuindo para 2,600 milhões de mortes. Já em países de alta renda, a estimativa é que um a cada dez pacientes sofra algum tipo de dano associado ao atendimento hospitalar. Entre os exemplos de eventos adversos que podem ocorrer estão quedas, falhas na identificação do paciente, erro na administração de medicamentos e até cirurgias realizadas em locais errados.

Em Minas Gerais, algumas ações têm sido desenvolvidas para minimizar riscos no atendimento e garantir uma melhor assistência aos pacientes. Atualmente, o estado conta com o maior número de cadastros de Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) e notificações de incidentes relacionados à assistência à saúde. Os NSP atuam dentro dos estabelecimentos de saúde por meio da identificação, prevenção e controle de incidentes, articulando processos de trabalho e informações que impactam na segurança dos pacientes.

Conforme explica a coordenadora de Investigação e Prevenção de Infecções e Eventos Adversos da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Nádia Aparecida Campos Dutra, é fundamental que o paciente esteja seguro independentemente do tratamento e cuidado a que ele é submetido. “Minas Gerais tem instituído ações para a melhoria da assistência prestada aos usuários dos serviços de saúde, incluindo a existência dos Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) e as notificações de incidentes relacionados à assistência à saúde. São ferramentas que têm como objetivo contribuir para a qualificação do cuidado em todos os estabelecimentos de saúde, visando uma melhoria contínua da assistência prestada”, explica.

Todo incidente deve ser notificado pelos serviços de saúde no sistema NOTIVISA (sistema informatizado desenvolvido pela Anvisa) até o 15º dia útil de cada mês. Já os óbitos e never events (eventos que nunca deveriam ocorrer) devem ser notificados até 72 horas após o incidente. Em Minas Gerais, no ano de 2018, foram notificados 19.489 incidentes e, até julho de 2019, 13.801. “A SES-MG trabalha no incentivo ao cadastro dos NSP pelos serviços de saúde, fornece orientações quanto à notificação e investigação dos incidentes e na implantação dos protocolos de segurança do paciente. Atua, ainda, no incentivo ao preenchimento anual da Autoavaliação das Práticas de Segurança do Paciente da Anvisa, com o objetivo de elencar estratégias para melhoria da qualidade dos serviços de saúde”, afirma Nádia Dutra.

A referência técnica estadual em segurança do paciente, Rosilaine Aparecida da Silva Madureira, explica que além do trabalho realizado por meio dos NSP e das notificações de incidentes, pacientes também podem atuar como apoiadores no processo de prevenção. “Pacientes e seus familiares ou acompanhantes devem participar como apoiadores durante o atendimento, estando cientes de seus direitos e deveres como usuários do sistema de saúde, bem como os riscos associados, sendo sua participação imprescindível na prevenção de falhas assistenciais, o que contribui para um cuidado mais seguro”, afirma.

No caso dos pacientes, uma das ações recomendadas é o envolvimento completo e ativo com seu próprio cuidado. Nesse sentido, fazer perguntas sobre o atendimento se torna fundamental, afinal, um cuidado seguro também inclui uma boa comunicação entre pacientes e profissionais de saúde. Além disso, é fundamental que o paciente se certifique, durante todo o atendimento, de que está fornecendo informações precisas sobre seu histórico de saúde.

Já os profissionais de saúde e líderes de serviços de saúde devem considerar os pacientes como parceiros nos cuidados, trabalhando juntos pela segurança. É preciso, ainda, garantir o desenvolvimento profissional contínuo para que ocorram evoluções em suas habilidades e conhecimentos em segurança do paciente. Uma cultura de segurança aberta e transparente deve ser criada nos serviços, com notificações à ANVISA e investigações sobre eventos adversos que possam ocorrer, além da instituição de medidas para prevenir novos incidentes.


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