Até o fim do ano, os 185 mil alunos da rede municipal de Belo Horizonte devem voltar ao ensino presencial, segundo expectativa da Secretaria de Educação (Smed). O retorno sem a necessidade de revezamento entre as turmas começa hoje. Apesar da liberação de 100% dos estudantes – sem distanciamento dentro das salas – alguns pais sequer foram avisados pelas escolas sobre a flexibilização. E há até comunicado de que nada mudou, ao menos por enquanto.

As novas regras nas instituições, vistas com cautela por especialistas, também permitem a realização de eventos escolares. As alterações foram possíveis graças à queda nos indicadores que monitoram a pandemia e o avanço da vacinação, sobretudo nas crianças maiores de 12 anos.

“Acreditamos que as famílias irão retomar a confiança e todos os estudantes irão retornar às salas de aula até o fim do ano, uma vez que as escolas estão seguindo, rigorosamente, os protocolos de segurança sanitária”, informou a Smed. 

Desinformação

Depois de um ano e sete meses de medidas mais duras na tentativa de barrar o coronavírus, as 323 escolas municipais poderão receber todos os alunos, segundo os protocolos. No entanto, pais de estudantes de pelo menos uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) da região Centro-Sul informaram que não foram avisados oficialmente sobre a retomada da carga horária habitual e irão aguardar as orientações da unidade de ensino para levar os filhos diariamente à instituição. 

“Na sexta-feira à noite mandaram um aviso às famílias comunicando que entrarão em contato quando tudo estiver definido. Segundo a escola informou, estão aguardando orientações”, disse uma mãe.

A PBH, em contrapartida, garantiu que todas as famílias foram avisadas e que, além de comunicados, a divulgação também foi repercutida pelos veículos de comunicação. 

Cautela

Imbróglios à parte, o certo é que a retomada das atividades escolares por toda a semana, com maior número de estudantes e menor distanciamento entre eles, não significa que outros cuidados para evitar a transmissão do Coronavírus possam ser deixados de lado. 

De acordo com Hélio Barroso, pediatra da Santa Casa de BH e do Hospital São Lucas, o cenário ainda é “delicado” e demanda atenção especial para que o vírus não atinja as crianças mais vulneráveis. 

“Acho que já era hora sim, tendo em vista o cenário atual. Mas é preciso ter ciência de que tem que ser feito com responsabilidade. É preciso tentar minimizar o contato intenso entre os alunos, estimular a higienização das mãos e uso das máscaras”, disse o médico, reforçando a necessidade de atenção redobrada com os menores de 11 anos.

“É preciso tentar minimizar o contato intenso entre os alunos, estimular a higienização das mãos e uso das máscaras”
Hélio Soares Barroso Pediatra

Ponto a Ponto

Fora das salas de aulas, deverá ser respeitada a distância de um metro entre as pessoas, como no refeitório e em filas. Também será permitido o uso de ar condicionado e da sala de professores.

Além disso, de acordo com o protocolo, estão liberadas as atividades desportivas de contato, a escovação de dentes e os parquinhos para todas as idades. A PBH também deu fim à obrigatoriedade da quarentena para livros devolvidos à biblioteca.


Leia mais:
Saiba como evitar problemas de pele ocasionados pelo uso contínuo das máscaras de proteção
Famílias passam a respeitar mais professores na pandemia, diz pesquisa