Um filtro capaz de reter e eliminar o coronavírus em esgotos hospitalares antes que chegue às estações de tratamento foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV). A técnica, simples e barata, também pode ser utilizada para barrar outros vírus e até compostos químicos.

Estudos recentes indicam que esgotos podem conter grande carga viral da Covid. O risco de contaminação preocupa, principalmente em localidades sem ou com precários sistema sanitários. Em Belo Horizonte, pesquisa da UFMG que analisa o esgoto tem apontado aumento na presença do coronavírus em amostras retiradas das bacias do Arrudas e do Onça.

Na UFV, oito pesquisadores participam do estudo, liderados pelo professor Tiago Antônio de Oliveira Mendes. Os cientistas criaram uma membrana capaz de adsorver as partículas do vírus. O filtro é feito de um material derivado da celulose. O custo é baixo e capacidade de produção, alta.

As pesquisas se iniciaram em julho de 2020. Em março deste ano, testes para comprovar a eficácia foram feitos no laboratório de bioquímica e biologia molecular da universidade. Para os ensaios, foi desenvolvida uma espécie de coronavírus sintético, que permite a realização dos estudos em ambiente seguro, e uma mistura semelhante à de esgoto hospitalar

O filtro funciona como se fosse um cano para a passagem do resíduo. Dentro, está a membrana que segura o vírus e uma lâmpada ultravioleta (UV), que faz uma “radiação esterilizante”. 

Segundo Mendes, o processo teve 100% de eficácia em apenas 30 minutos de exposição. “Este tempo parece ser importante para acelerar o processo de tratamento do esgoto hospitalar ou mesmo nas estações das cidades”, explicou. 

Foram investidos cerca de R$ 180 mil, doados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O custo de produção calculado para cada unidade do filtro de 30 cm de largura é de R$ 49,80.

A tecnologia será patenteada pela UFV e já está em fase de escalonamento da produção das membranas e filtro para viabilizar a industrialização. Por enquanto, não há previsão de comercialização. 

Enquanto isso, o professor Thiago Mendes conta que a meta é expandir o sistema, eliminando outros vírus. “Já temos tecnologia para eliminar a bactéria que causa disenteria, febre tifoide e, agora, estamos expandindo para eliminação de bactérias que causam cólera, hepatite e adenovírus”.

(*) Especial para o Hoje em Dia