O número de casos confirmados de sarampo em Minas saltou de 13 para 18 em apenas sete dias – crescimento de quase 40%. No mesmo período, as notificações em investigação mais que dobraram, passando de 138 para 288, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

O risco de surto não é descartado pela pasta e preocupa especialistas, uma vez que os registros da doença no Estado são os maiores dos últimos 20 anos.

Além dos dois diagnósticos na capital, há pacientes em Betim e Contagem (na Grande BH), Juiz de Fora (Zona da Mata), Pedralva (Sul de Minas) e Uberlândia (Triângulo). Só nessa última são dez pacientes.

De 21 de agosto a 9 de setembro, mais de 40 unidades de saúde precisaram ter o atendimento temporariamente suspenso na capital devido à presença de pessoas com suspeita de sarampo. A medida é preventiva e acontece para que sejam feitos o bloqueio vacinal e a desinfecção dos locais.

“É um cenário muito preocupante”, alerta o diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, Carlos Starling. O médico explica que o crescimento de casos não está ligado apenas à baixa cobertura vacinal em adultos. 
Ele ressalta que o nível de transmissibilidade é altíssimo. “Quando isso se associa a um público vulnerável, o crescimento das notificações é inevitável”. 

Outro fator, diz o especialista, é a demora para o surgimento de todos os sintomas. “No princípio, o sarampo se parece muito com uma gripe forte. Então, até que as manchas apareçam, muita gente já foi infectada”, frisa.

Fluxo

A circulação da população entre estados vizinhos também contribui. Em São Paulo, por exemplo, estão concentrados mais de 90% dos casos confirmados da enfermidade no país.

“Os primeiros relatos que registramos em Belo Horizonte surgiram de um paciente que se infectou no exterior. Depois disso, não houve evolução. Mas a ida e vinda aumenta muito o risco”, analisa a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Lúcia Paixão.

Apesar do aumento das confirmações, grande parte dos mineiros ainda ignora a imunização. Em um ano e dois meses, apenas 0,04% das pessoas de 1 a 29 anos tomaram as duas doses da vacina, segundo levantamentos da SES, mostrados pelo Hoje em Dia.

Em julho de 2018, eram 5.479.354 pessoas desprotegidas. Na atualização mais recente, de 5 de setembro, 5.476.932. Ou seja, em números absolutos, somente 2.422 completaram o ciclo vacinal em 14 meses.