Segundo tipo de tumor mais frequente no Brasil, o câncer de mama acomete três vezes mais brasileiras, com menos de 35 anos, do que europeias e norte-americanas na mesma faixa etária. Enquanto nos países do Hemisfério Norte a doença nesse público não passa de 2% do total, em território brasileiro os registros somam 9%.

Especialistas ainda buscam os motivos que têm levado as jovens a desenvolverem o tumor com mais frequência. Historicamente, elas representavam somente 2% dos casos. Estilo de vida, herança genética e histórico familiar são algumas das razões consideradas. O avanço, por sua vez, reforça a importância de se precaver – foco do Outubro Rosa, campanha mundial de conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce da neoplasia que atinge as mamas.

Realizada pelo Grupo Brasileiro de Estudos em Câncer de Mama (Gbecam) e Grupo Latino-Americano de Oncologia Cooperativa (Lacob), a pesquisa mostrou que 60% dos registros foram detectados a partir de sintomas, e não por mamografia. Integrante do estudo, o oncologista gaúcho Gustavo Werutsky diz ser preciso rever as diretrizes nacionais de rastreamento da neoplasia.

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“Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, no Brasil a recomendação é para que o exame de imagem seja feito a partir de 50 anos. Apesar disso, a mamografia tem impacto significativo nas taxas de mortalidade, facilitando o diagnóstico precoce e aumentando as chances de cura”, justifica.

O Ministério da Saúde orienta que a mamografia de rastreamento, realizada quando não há sinais nem sintomas suspeitos, seja ofertada a cada dois anos a mulheres de 50 a 69 anos.

Na luta

Diagnosticada com a doença há um ano, a técnica em nutrição Eliane Spíndola, de 35, sabe melhor que ninguém da importância da prevenção. Descoberto em estágio inicial, o tumor de mama foi tratado com quimioterapia e removido numa cirurgia minimamente invasiva. 

“Foi tudo muito rápido. Senti um caroço no autoexame, procurei um especialista e, em poucos meses, já estava tratando. Tenho certeza de que o acompanhamento preventivo fez toda diferença”, afirma ela, que começou a radioterapia recentemente.

Confira o relato de Eliane Spíndola, que faz parte das estatísticas da doença em brasileiras com menos de 35 anos:

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Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Antônio Luiz Frasson explica que mulheres com menos de 35 anos sem histórico da enfermidade na família devem fazer exames de rotina e visitar o ginecologista todos os anos a partir da primeira relação sexual.

Quando há casos familiares, a orientação é procurar um especialista e realizar exames de imagem dez anos antes da idade em que a doença foi identificada pela primeira vez na família, quando o caso tiver ocorrido antes dos 50 anos.

Embora lei nacional garanta às mulheres que fizeram mastectomia o direito à reconstrução gratuita da mama durante a cirurgia, apenas 29% dos procedimentos de 2008 a 2014 foram custeados pelo SUS; dentre as novidades em tratamento está a radioterapia intraoperatória, que prevê a administração de níveis terapêuticos de radiação diretamente sobre o alvo, durante a cirurgia