Instituições de saúde que oferecem odontologia hospitalar, garantindo o cuidado com a boca do paciente intubado na UTI, registram índices muito menores de pneumonia e de tuberculose. Isso porque a pneumonia associada à ventilação mecânica, por exemplo, pode ser causada quando o paciente aspira bactérias da boca e que vão direto para o pulmão.

“A odontologia hospitalar é essencial para evitar o agravamento da Covid-19. Temos o Projeto de Lei 924/\2019, que propõe tornar a odontologia hospitalar obrigatória no Estado, tramitando na Assembleia Legislativa. Hospitais que são grande referência já têm dentistas em UTI, fazendo a manutenção bucal dos pacientes”, ressalta o presidente do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), Raphael Mota.

A entidade tem atualmente 69 mil inscritos, incluído 40 mil cirurgiões-dentistas, técnicos em saúde bucal, auxiliares em saúde bucal, técnicos em prótese dentária e auxiliares em prótese dentária.

O presidente do CRO revela que cerca de 80% desses profissionais mantiveram suas atividades durante a pandemia. 

Levantamento do Conselho Federal de Odontologia (CFO) apontou que 82% dos cirurgiões-dentistas continuaram atuando 
nesta pandemia, seguindo os cuidados de biossegurança recomendados. Os outros 18% interromperam seus trabalhos 

“O protocolo de biossegurança no consultório já é muito eficiente há anos. Dentista trabalha muito empacotado. Outros profissionais de saúde estão adotando agora o que a gente já faz há muito tempo”, afirma.

Vacinação 

Em 12 de março, diz ainda, a Circular 57, da Secretaria de Vigilância da Saúde do Ministério da Saúde, indicou a vacinação do cirurgião-dentista contra a Covid-19 como prioritária, entre os profissionais de saúde expostos a maior risco.

No entanto, Raphael Mota aponta que há um risco eminente de que muitos profissionais de saúde não sejam imunizados no país. “Os governos federal e estadual acreditam que 97% dos trabalhadores da saúde no Estado já foram vacinados contra a Covid, mas não é verdade. Há uma discrepância muito grande entre os dados que os governos estão usando para distribuir as doses e os números reais de profissionais”, considera. 

“O governo usa o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes), que está defasado, e a última campanha de vacinação contra a Influenza. A disparidade é muito grande. Em Montes Claros, por exemplo, há cerca de 31 mil profissionais de saúde e a previsão é de 14 mil doses. BH vive o mesmo problema, por um Cnes desatualizado”.

Consultado, oMinistério da Saúde informou que a seleção dos grupos prioritários, que constam no Plano Nacional de Operaciona-lização da Vacinação contra a Covid-19, foi elaborada em acordo com entidades como os conselhos nacionais de Secretários de Saúde (Conass) e de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), além de especialistas na área. 

Além disso

A constatação de que cuidar da saúde bucal está diretamente relacionado à manutenção de todo o organismo saudável acentua a importância da consulta ao dentista, no mínimo, duas vezes por ano. 

Há casos, porém, como o das doenças gengivais, em que pode ser necessária uma frequência maior de idas ao dentista, ressalta o coordenador do curso de Odontologia das Faculdades Promove, Lucas de Morais Barros.

Mestre e doutor em Dentística, especialista em Implantodontia e avaliador do MEC, ele lembra que, neste momento de onda roxa em todo o Estado, em razão da gravidade da pandemia, tratamentos eletivos, que não sejam de urgência, estão suspensos. 

O dentista pode atender, por exemplo, nesta situação, quem sente alguma dor, sofre uma fratura ou precisa fazer manutenção de aparelho, por causa de um planejamento que deve ser cumprido mês a mês.

Em casa, recomenda, é preciso manter a higienização diária dos dentes, com, no mínimo, três escovações diárias, uso do fio dental, e bom senso no consumo de açúcar. O dentista explica que o açúcar é a energia para os micro-organismos que causam a cárie. 

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