Pesquisa divulgada neste domingo pelo Instituto Datafolha mostra que praticamente oito a cada dez brasileiros (79%) defendem algum tipo de punição para quem desrespeitar as regras de quarentena em razão da pandemia do Covid-19. 

Em contrapartida, em outro item perguntado a 1.606 adultos que possuem telefone celular em todas as regiões e estados do país, na última sexta-feira, quase dois a cada dez (18%) entendem que os governos não deveriam ter direitos sobre a circulação das pessoas.

A aplicação de restrições por prefeituras e governos estaduais contra a propagação do novo coronavírus passou a ser debatida com mais intensidade na semana retrasada. 

O chefe do Executivo de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e o governador paulista João Doria se destacaram entre os políticos que defendem medidas duras de distanciamento social, com fechamento de atividades comerciais não essenciais - em contraposição, por exemplo, ao discurso que tem sido assumido pelo presidente Jair Bolsonaro, de liberação gradual de tais atividades.

Conforme a pesquisa, o apoio a multas contra quem desrespeitar a quarentena prevalece mais entre jovens de 16 a 24 anos e assalariados com carteira registrada (48%). Já  advertências ganham apoio preponderante entre os mais ricos (com renda 5 e 10 salários mínimos, 53%, e de 10 salários para cima, 51%).

O Datafolha apontou ainda constância na forma com que as pessoas têm se cuidado, em relação à pandemia. Ante a o levantamento anterior, feito de 1º a 3 de abril, apenas 4% dos entrevistados dizem que vivem a vida como antes, mesmo índice anterior.

Entre os que se cuidam, mas ainda saem de casa para trabalhar, o índice variou: subiu de 24% para 26%. Já entre os que só saem quando é inevitável, o percentual  caiu, de 54% para 50%, enquanto o dos que se isolaram totalmente subiu, de 18% a 21%.

Com margem de erro de 3%, a pesquisa mostrou ainda tendência de alta na percepção de que os brasileiros estão se preocupando menos do que deveriam com a pandemia. No levantamento de 18 a 20 de março, 44% pensavam assim. No de 1º a 3 de abril, 46%, e na última sexta-feira, 49%.