Popularizados nos Estados Unidos após a repercussão da mastectomia bilateral da atriz Angelina Jolie, em 2016, os testes genéticos devem ser realizados por mulheres com histórico de câncer de mama em parentes de primeiro grau – mãe ou irmã. Ofertados em clínicas particulares e subsidiados, em alguns casos, por planos de saúde, os exames, que chegavam a custar R$ 12 mil, já podem ser realizados, no Brasil, por cerca de R$ 1.300.

“São indicados principalmente para quem teve o tumor antes dos 50 anos. Mas também para pacientes com parente que já detectou a doença nas mamas e/ou nos ovários”, detalha o mastologista Waldeir de Almeida Júnior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) – Regional Minas Gerais.

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O especialista explica que, por meio do exame, é possível identificar a presença de genes responsáveis por controlar a divisão celular e, portanto, o possível surgimento desse tipo de neoplasia. A conduta em casos positivos para a doença é variável, podendo incluir a realização de exames de imagem a cada seis meses, o uso de medicação preventiva ou até mesmo a cirurgia profilática para retirada de glândulas mamárias e ovários.

Na Justiça

A técnica em Nutrição Eliane Spíndola, de 35, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama exatamente um ano atrás, conseguiu realizar o mapeamento genético sem pagar, por força de uma liminar na Justiça. A decisão foi baseada num pedido médico, que declarava a necessidade do teste, dada a gravidade do quadro. Embora tenha sido identificado na fase inicial, o tumor evoluiu dois estágios em apenas três meses.

Em Brasília, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que busca assegurar a realização do exame, pelo SUS, a mulheres classificadas por laudo médico com risco elevado de desenvolver a doença. Atualmente, o mapeamento não é coberto pela rede pública de saúde.

Temos uma medicina que vai além da tecnologia. O sistema de saúde está enxergando os propósitos de cuidar, servir e acolher. É fundamental que o médico e a equipe estejam prontos para dar a notícia e, principalmente, ouvir a mulher, seus medos, angústias, ansiedades e dúvidas. Ao receber o diagnóstico de câncer de mama, a paciente está se deparando com o desconhecido, e isso dá medo. Ao médico, cabe compreender que o instrumento mais forte que o bisturi ou a quimioterapia a que a equipe de saúde tem acesso é o ouvido. É ele que permite entender o outro e saber como melhor tratar, como amparar e caminhar lado a lado. Neste momento é que se faz a presteza da medicina, que não é apenas curar, uma vez que a cura já é possível quando há o diagnóstico precoce em 95% dos casos. É ouvir e caminhar junto. 

Henrique Lima Couto - mastologista, diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) – Regional Minas Gerais e da Redimama

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