Com 62% da população vacinada com as duas doses contra a Covid-19, perto dos 70% preconizados pelas autoridades de saúde como ideal para maior flexibilização das medidas sanitárias, o Estado não deve desobrigar o uso da máscara de proteção em locais abertos por agora. Secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti, os olhares estão atentos para a situação atual em outros países.

“Estamos bastante conservadores no tema e observando o que aconteceu na Europa onde houve a desobrigação”, disse ele em entrevista à Rede Globo nesta segunda-feira (22).

Mesmo com ampla cobertura vacinal, Europa e Ásia Central enfrentam nova alta de casos e mortes por Covid-19. Na última semana de outubro, os dois continentes foram responsáveis por 48% dos óbitos e 59% dos novos casos registrados em todo o mundo.

Ainda conforme Fábio Baccheretti, um grupo técnico está discutindo a questão há mais de duas semanas. “Estamos trabalhando para que consigamos dar um passo de cada vez e não dar dois para trás igual a Europa está fazendo”, informou.

A pasta analisa dois critérios para a desobrigação do uso de máscaras: cobertura vacinal e circulação do vírus.

Fiocruz

Na semana passada, pesquisadores da  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destacaram o crescimento do número de casos, internações e mortes inclusive em países europeus com índices de vacinação superiores aos do Brasil.

A instituição vê com preocupação a desobrigação das máscaras e o afrouxamento das medidas restritivas no país. Para a fundação, o índice de 70% da população adulta vacinada, recentemente alcançado, não seria suficiente para a flexibilização.

“Definitivamente, a vacinação, descolada de outras recomendações não farmacológicas, não será suficiente para determinar o fim da pandemia", afirmaram os pesquisadores.

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