Desde 2009, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) utiliza a Teoria de Resposta ao Item (TRI) para a correção das provas do Enem. A metodologia é o que impossibilita que exista um zero absoluto na prova, ainda que o candidato tenha entregue o documento com todas as questões erradas, e também permite que o uso das habilidades reflexivas e analíticas sejam priorizadas em detrimento da memorização de conteúdos. Para o Ministério da Educação (MEC), é uma forma de garantir a isonomia do exame. 

Mas na prática, como funciona o TRI? O diretor de Inovação Pedagógica da Evolucional, startup de educação baseada em dados, Vinícius Freaza, garante que sim. Ele explica, de forma didática, como funciona a TRI:

"Trata-se de uma metodologia de cálculo das notas dos alunos, que se difere de um cálculo tradicional em que é computada a quantidade de questões que o estudante acerta. A TRI não depende da quantidade de questões acertadas, mas de quais questões ele acertou. É por isso que, às vezes, o estudante fica confuso ao ver que ele e um colega acertaram a mesma quantidade de questões, porém, as notas foram diferentes". 

Para entender melhor, imagine que dois alunos vão fazer a prova de cinco questões e cada um acerta três questões. Na metodologia clássica, eles teriam exatamente a mesma nota. Na TRI, o aluno que acertou as três questões mais fáceis pontua mais do que o outro, que acertou as três questões mais difíceis. Esta é também uma forma de evitar os acertos ao acaso, os famosos "chutes". 

"Se o candidato acertou as questões fáceis em maior quantidade ele possui a coerência pedagógica, ou seja, a base do conhecimento. Ao mesmo tempo, o candidato que acerta somente as questões difíceis, também deveria acertar as questões fáceis se tivesse a coerência pedagógica, certo? Se o aluno acerta as questões muito difíceis e erra as mais fáceis, provavelmente ele chutou as mais difíceis, por isso, pontua menos", explica Freaza.

Desta forma, segundo o especialista, a nota do aluno não se torna uma simples somatória de pontos atribuídos a cada questão e chega-se a um valor que traduz o conjunto de acertos, traduzindo o nível de conhecimento e proficiência do candidato.   Vale lembrar que a TRI é aplicada em todas as questões da prova, exceto, na redação. 

Utilize a TRI a seu favor 

Ciente da metodologia da prova, é possível aplicá-la a seu favor para pontuar mais no Enem? Freaza explica que sim: "Uma vez que os alunos entendem que acertar as questões fáceis terá alto impacto na nota, eles poderão estabelecer uma preparação e tentar identificar, primeiro, as questões mais fáceis. Um bom indicativo é, ao ler o enunciado da questão, conseguir identificar de imediato um caminho para resolvê-la significa que ela é mais fácil. Muitas vezes, a resposta de uma questão fácil já está embutida no próprio enunciado. O que recomendamos é não deixar de olhar a prova toda antes de começar a resolver as questões". 

Veja, abaixo, três dicas do especialista para "organizar" as questões de começar: 

1. Uma leitura prévia da prova, de forma rápida, claro, pode ajudar a identificar as questões mais fáceis.

2. As questões mais difíceis, que demoram mais para serem resolvidas, devem ser deixadas por último. Se não conseguir resolvê-las, aí sim, é melhor recorrer ao "chute" do que deixá-las em branco. 

3. Como a prova é muito extensa - são 90 questões -, a recomendação é que o aluno divida a prova em blocos, por exemplo, selecione cinco questões e, dentre estas opções, compare o nível de dificuldade entre elas para elencar quais resolver primeiro.

"Por exemplo, dentro das cinco questões que ele selecionou para ler antes em bloco, ele pode identificar duas fáceis, duas médias e uma difícil. Resolva, então, as duas fáceis, e tente resolver as médias. A difícil fica pro final. O que o candidato não pode é correr o risco de não ter tempo de resolver as questões fáceis", conclui Freaza. 

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