O funcionamento de parques estaduais em Minas está comprometido devido ao atraso nos salários de terceirizados encarregados de serviços primordiais, como segurança. Duas unidades de conservação (Lapa Grande, no Norte, e Pau Furado, no Triângulo) já suspenderam a visitação e outras estão com as atividades reduzidas por falta de pessoal. Sem receber há mais de dois meses, os funcionários deixaram de trabalhar, o que pode resultar no fechamento de mais unidades.

No Parque Estadual do Ibitipoca, na Zona da Mata, dez dos 23 funcionários são terceirizados e estão sem salário. Desde a última quinta-feira, eles cruzaram os braços. Como atuam em diversas áreas, como manutenção, fiscalização, portaria e visitação, o funcionamento da área verde será prejudicado.

“Não temos condições de ficar abertos com os desfalques porque esses funcionários trabalham no fim de semana. Mesmo se todos os outros trabalhassem todos os dias, não daria para manter o funcionamento. Estamos aguardando uma orientação sobre o que deve ser feito”, afirma o gerente do Ibitipoca, João Carlos Lima de Oliveira.

O parque é o mais visitado do Estado, com uma média de 8 mil pessoas por mês. No ano passado, mais de 95 mil visitas ocorreram na unidade de conservação, que fica nos municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca, a cerca de 330 quilômetros de Belo Horizonte. 

Impactos
Situação semelhante vive o Parque Estadual do Rio Doce, no Vale do Aço, onde 26 dos 50 funcionários são terceirizados e, portanto, também estão sem receber há mais de dois meses. Apesar da situação crítica, os profissionais ainda estão exercendo as atividades na unidade de conservação para evitar prejuízos ao espaço.

“Eles tomaram essa decisão para proteger o parque, e isso nos emociona muito. Sem eles, com certeza não teríamos como manter a unidade aberta. Mas sabemos da situação difícil pela qual passam e estamos arrecadando até mantimentos para ajudar”, conta o gerente do espaço, Vinícius de Assis Moreira.

De acordo com o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), a empresa Cristal, responsável pelos funcionários das unidades de conservação, estaria com problemas para recolher os encargos sociais dos empregados (FGTS e INSS) e, por esse motivo, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) ficou impossibilitado de efetuar o pagamento pelos serviços.

O Sisema informou que não foi feito à empresa o repasse de apenas um mês. Os períodos anteriores teriam sido pagos. Para tentar resolver a situação, o IEF fez uma proposta para adiantar pagamentos à Cristal para que a mesma consiga regularizar os encargos sociais. Mas a possibilidade ainda está em análise pela área jurídica do governo.

Falha
“É preciso uma intervenção rápida para evitar prejuízo para a população”, cobra a superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Maria Dalce Ricas.

O Hoje em Dia tentou, durante toda a tarte dessa sexta-feira (21), um retorno da empresa Cristal. Um funcionário que não se identificou chegou a atender uma das ligações, mas avisou não havia ninguém para falar sobre o assunto e desligou o telefone. </CW>

Além disso
No fim de 2014, o Hoje em Dia mostrou um outro problema de estrutura dos parques, que também comprometeu o funcionamento das unidades de conservação do Estado. Estações ecológicas, reservas, monumentos, refúgios, dentre outras áreas verdes que necessitam de carros apropriados para serviços de logística e atendimento ao turista, sofreram com a falta de combustível nos veículos que atendem às unidades. Marcações de visitas tiveram que ser reduzidas. Outros serviços, como fiscalização e combate a incêndio, também foram afetados já que os carros eram utilizados nessas atividades. O problema só foi resolvido no início do ano passado.