A mineradora Samarco, controlada pela Vale e a BHP Billiton, terá que apresentar, até o dia 2 de dezembro, um plano de manutenção dos empregos na unidade de Ubu, localizada no município de Anchieta, no Espírito Santo. A determinação ocorreu na segunda-feira (23) em audiência pública conduzida pelos procuradores do Trabalho Carolina de Prá Buarque e Bruno Borges, com a participação de representantes da mineradora, de sindicatos e prestadoras de serviço.

O plano deve prever a preservação da renda dos trabalhadores que desempenham atividades junto à unidade, que tem funcionamento interligado às atividades de Mariana, em Minas Gerais. O planejamento deve levar em consideração tanto contratados diretos, como terceirizados.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ainda requereu a apresentação de todas as rescisões de contratos realizadas desde o dia 5 de novembro. A mineradora deverá ainda apresentar as rescisões dos contratos comerciais com prestadores de serviços que acarretem a extinção de postos de trabalho em Anchieta, além da documentação sobre a comunicação realizada pela Samarco às empresas terceirizadas a respeito da sua responsabilidade pelo pagamento dos trabalhadores.

Ainda há incerteza quanto à possibilidade de a unidade da mineradora em Ubu finalizar suas atividades mesmo com a continuidade da produção em Minas Gerais. O estoque de minério em Anchieta acaba em 2 de dezembro. De acordo a mineradora, foi concedida uma licença remunerada de 20 dias para os empregados e terceirizados contratados para serviços contínuos, cujo prazo de encerramento ocorrerá em 29 de novembro. A partir do dia 30, os trabalhadores irão receber férias coletivas e só retornarão às atividades em janeiro de 2016.

Os representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT/ES) e do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintraconst/ES) alertaram para a necessidade de tratamento isonômico entre funcionários e terceirizados e solicitaram que a Samarco negocie com os sindicatos profissionais.

Prejuízos

O prefeito de Anchieta, Marcus Assad, demonstrou preocupação com o futuro do município e alegou alegou ter recebido poucas informações da Samarco até o momento. De acordo com o gestor, o município não tem condições de absorver toda a demanda de emprego gerada pela mineradora. "Além do desemprego, o município vai deixar de arrecadar de R$ 1,6 milhão a R$ 2 milhões. Se a produção de Mariana parar, Anchieta para. Mariana não consegue produzir o minério se não levá-lo para Anchieta. A situação é grave", concluiu.